O novo comandante da Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM-MOZ) prometeu nesta quarta-feira (10) continuar a capacitação das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) para manterem uma “posição firme no combate” ao extremismo em Cabo Delgado, Norte do País.
“Estamos a apoiar as próprias FADM na realização desta avaliação, garantindo que estejam estruturadas e capazes de manter uma postura firme no combate ao que está a acontecer em Cabo Delgado, a fim de alcançar estabilidade e segurança”, afirmou o novo comandante da EUMAM-MOZ, César Manuel Pires Correia.
O responsável falava à margem da cerimónia de recepção do comando da EUMAM-MOZ, em Maputo, no qual substitui Luís Barroso.
Questionado pelos jornalistas se com a formação ministrada pela EUMAM-MOZ as FADM têm capacidade para travar os ataques, incluindo prestar assistência aos deslocados, o novo comandante afirmou que “não compete à missão da UE fazer essa avaliação.”
“A missão da UE é essencialmente não executiva, tal como definido no nosso mandato. Não temos contacto directo em Cabo Delgado; não é esse o nosso papel. O nosso papel é apoiar as FADM para que estejam mais bem equipadas para promover a estabilização daquela província”, salientou.
César Correia é o último comandante desta força que termina a sua missão em Moçambique em Junho de 2026, com o responsável a afirmar haver ainda muito trabalho a fazer na capacitação das forças locais.
“Sinto-me muito honrado por ter sido escolhido pelas autoridades portuguesas e aceite pela União Europeia (UE). É uma enorme honra, um desafio, mas ao mesmo tempo uma oportunidade de colocar em prática, na missão que me foi confiada, toda a experiência que acumulei e a experiência do pessoal militar que irá trabalhar comigo para apoiar as FADM”, sublinhou.
“A EUMAM-MOZ continuará a sua missão de apoiar as FADM no desenvolvimento e reforço das capacidades que melhoram as aptidões das forças de reacção rápida, para que possam operar especialmente na região de Cabo Delgado num ciclo operacional robusto e autónomo”, acrescentou Correia.
Por sua vez, o comandante cessante da EUMAM-MOZ, Luís Barroso, destacou que o novo comandante vai continuar a desenvolver esforços para apoiar as forças moçambicanas a desenvolver habilidades para lidar com os direitos humanos em Cabo Delgado.
“A situação em Cabo Delgado é complexa, resultante de muitos factores de várias dimensões, sendo a segurança apenas um deles (…), mas o que têm sido os pilares da nossa formação no desenvolvimento de capacidades de apoio logístico, temos dado grande ênfase à defesa dos direitos humanitários e às perspectivas de género para garantir que as acções das forças armadas sejam enquadradas por esses pilares”, afirmou Luís Barroso, acrescentando que o ponto focal “é garantir que essas forças tenham essas capacidades administrativas ao nível da logística para poderem regenerar.”

O bloco europeu anunciou, em 2024, a adaptação dos objectivos estratégicos da anterior Missão de Formação Militar da UE em Moçambique (EUTM-MOZ), que transitou, em 1 de Setembro do mesmo ano, do modelo de treino para um de assistência, passando, assim, a designar-se EUMAM-MOZ.
A EUTM-MOZ, que como a actual EUMAM-MOZ foi liderada por Portugal, formou em dois anos mais de 1700 militares-comandos e fuzileiros moçambicanos, que passaram a constituir 11 companhias de Forças de Reacção Rápida (QRF, em inglês) e já combatem o terrorismo em Cabo Delgado, bem como uma centena de formadores.
A missão em Moçambique foi ainda financiada, através do Mecanismo Europeu para a Paz, para aquisição de todo o tipo de equipamento não letal para estas companhias de forças especiais.
Fonte: Lusa




























































