A Polícia sul-africana confirmou a morte de António Francisco Macamo, conhecido como “Dollar Man”, apontado como um dos principais mandantes de raptos em Moçambique e figura de topo na lista de indivíduos mais procurados pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC). O suspeito foi abatido na noite de quarta-feira (3), em Kempton Park, após abrir fogo contra uma equipa especial de combate a raptos.
“Posso confirmar que o criminoso mais procurado de Moçambique por envolvimento em raptos foi abatido durante um confronto com a nossa equipa, que estava a investigar uma série de casos em que eram feitas exigências de resgate”, afirmou Athlenda Mathe, porta-voz da Polícia sul-africana.
As autoridades daquele país relacionam “Dollar Man” a vários crimes, incluindo o rapto de um cidadão indiano em Gauteng, a 23 de Julho. De acordo com a versão oficial, o suspeito disparou contra os agentes quando a viatura em que seguia foi imobilizada, tendo sido atingido na troca de tiros. Em Moçambique, o SERNIC confirmou a identidade do cadastrado e a sua morte, remetendo detalhes adicionais para a Central de Combate à Corrupção.
A morte de “Dollar Man” ocorre num momento em que o Governo moçambicano reconhece a persistência de sérios desafios no combate aos raptos. Dados divulgados recentemente no Parlamento pelo ministro do Interior, Paulo Chachine, revelam que, entre 2011 e Março deste ano, foram registados 205 crimes de rapto, resultando em 302 detenções.
O pico ocorreu em 2013, com 37 casos, mas o fenómeno nunca foi totalmente estancado. Apenas entre Janeiro e Março de 2025 foram consumados 19 raptos, dos quais 15 esclarecidos pela Polícia, que deteve 33 pessoas e apreendeu 12 armas de fogo, 12 viaturas e quatro imóveis usados como cativeiros.
A cidade de Maputo continua a ser o principal epicentro destes crimes, com 133 ocorrências registadas desde 2011, seguida pela província de Maputo (48) e Sofala (9).
As vítimas são sobretudo empresários e seus familiares, maioritariamente de ascendência asiática, um grupo que domina o comércio urbano. Mais de 150 empresários foram raptados nos últimos 12 anos, e uma centena terá abandonado o País por receio, segundo dados da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).
As próprias autoridades já admitiram que a maioria destes crimes tem ligação com redes baseadas no estrangeiro, sobretudo na África do Sul.
Fonte: O País


























































