O sell-off de títulos de dívida soberana não se limitou à Europa e aos Estados Unidos da América (EUA). Na Ásia, esta quarta-feira, 3 de Setembro, também foi um dia em que os investidores venderam obrigações de longo prazo, com as taxas de juro japonesas a 30 anos a subirem para 3,255% — um valor nunca antes registado — num momento em que os mercados mostram preocupações com os níveis de dívida dos países e as projecções de crescimento económico. O movimento de venda chegou ainda ao mercado accionista, com a maioria das praças da região a terminarem a sessão no vermelho.
“A economia mundial parece estar a lidar relativamente bem com as tensões impostas pelas tarifas do Presidente Donald Trump. Isso está a reavivar as aflições que muitos levantaram em 2024 sobre a possibilidade de as preocupações com a sustentabilidade da dívida impulsionarem os juros cada vez mais nos próximos anos”, começou por explicar Garfield Reynolds, analista da MLIV, à Bloomberg. “Este agravamento provavelmente vai limitar qualquer recuperação das acções, com os custos dos empréstimos a elevarem-se o suficiente para prejudicar as perspectivas das empresas”, acrescentou.
Neste contexto, os japoneses Topix e Nikkei 225 encerraram a sessão desta quarta-feira em território negativo, com o primeiro a cair 1,14% e o segundo a ceder 0,92%. Além das preocupações com o endividamento do país, as acções do Japão estiveram ainda a ser pressionadas pela instabilidade política que a nação asiática tem enfrentado – com o primeiro-ministro Shigeru Ishiba a perder aliados no Governo.
Pela China, o Hang Seng, de Hong Kong, desvalorizou 0,54% e o Shanghai Composite deslizou 1,04%, num dia marcado pelo discurso do Presidente Xi Jinping nas comemorações do 80.º aniversário do fim da 2.ª Guerra Mundial. Apesar de Xi Jinping ter reafirmado a confiança no crescimento económico chinês e novos dados a apontarem para a expansão do sector dos serviços do país, as preocupações globais em torno da sustentabilidade das contas públicas acabaram por manchar a China de vermelho.
Nas restantes praças asiáticas, o australiano S&P/ASX 200 caiu 1,74%, isto apesar de o Produto Interno Bruto do país ter acelerado mais do que o previsto no segundo trimestre do ano. Já o sul-coreano Kospi conseguiu escapar das perdas e avançar 0,26% esta quarta-feira.
Na Europa, a negociação de futuros aponta para uma abertura no verde, num movimento de correcção das perdas da sessão anterior. Tal como na Ásia, o mercado accionista esteve a ser pressionado por um disparo nos juros das dívidas soberanas, com a yield a 30 anos britânica a atingir o valor mais elevado do século.

























































