O Governo defende que o desenvolvimento do turismo deve assentar numa visão integrada das infra-estruturas, em que transportes, portos, aeroportos e fronteiras sejam concebidos não apenas como elementos logísticos, mas como componentes essenciais da cadeia de valor turística. A posição foi manifestada pelo secretário de Estado dos Transportes, Chinguane Sebastião Marcos Mabote, durante a sua intervenção no Fórum Africano de Diplomacia e Turismo.
“Sem infra-estruturas modernas e funcionais — aeroportos, portos, estradas, pontes, fronteiras — não é possível garantir serviços de transporte seguros, acessíveis e eficientes, capazes de sustentar o turismo”, afirmou o governante, acrescentando que a estratégia nacional passa por transformar os corredores de desenvolvimento em eixos de integração turística e económica.
O responsável destacou três corredores estratégicos — Maputo, Beira e Nacala — como exemplos de espaços com potencial para integrar turismo, comércio e agricultura. No Corredor de Maputo, referiu o terminal de cruzeiros e as linhas férreas de Ressano Garcia, Limpopo e Chongoene como infra-estruturas que já respondem a esta lógica de utilização múltipla. “Precisamos de ir além da movimentação de mercadorias. É preciso pensar em sustentabilidade, electrificação e competitividade internacional, inclusive através de créditos de carbono”, frisou.
No que diz respeito aos portos e fronteiras, defendeu que devem ser adaptados para acolher turistas, com serviços funcionais e integrados, como postos de paragem única, que facilitem o fluxo de visitantes. “Os portos não devem ser exclusivamente industriais. Precisam de estar preparados para receber cruzeiros e outras actividades turísticas.”
A nível nacional, destacou a importância de uma ligação terrestre estruturada de Norte a Sul, ligando Maputo a Mocímboa da Praia e Massangulo, como forma de garantir mobilidade e coesão territorial. “O Corredor de Nacala atravessa zonas de enorme potencial turístico e pode impulsionar o turismo comunitário, com impacto directo nas populações locais”, referiu.
Mabote sublinhou ainda que os aeroportos devem ser vistos como verdadeiros cartões de visita. “Construí-los não basta. É necessário assegurar que sirvam um sistema integrado, com impacto no turismo, comércio e agricultura.”

Por fim, reiterou o papel do sector privado como catalisador do desenvolvimento turístico, salientando que cabe ao Governo criar um ambiente favorável, assegurar regulação eficiente e facilitar o investimento. Mabote concluiu com um apelo à acção colectiva: “A maior riqueza que temos é o turismo. Mas para o tornar sustentável, precisamos de integrá-lo num sistema económico funcional, que ligue infra-estruturas, produção, formação e mobilidade. Só assim poderemos transformar o turismo num verdadeiro motor do desenvolvimento.”
O Fórum Africano de Diplomacia e Turismo decorre de 20 a 22 de Agosto, sob o tema “Desbloquear o potencial do turismo em África, através da diplomacia e investimento”.
O encontro reúne membros de governos africanos, representantes da União Africana, da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), de instituições internacionais, bem como entidades do sector público e privado ligadas ao turismo. Durante três dias, o evento visa promover um espaço de diálogo qualificado e a definição de estratégias que posicionem o turismo como motor de desenvolvimento económico sustentável e de integração regional no continente.
Texto: Felisberto Ruco



























































