O Governo da Zâmbia manifestou a sua preocupação com o “encargo financeiro desnecessário” que será causado por uma nova regra que exige que os seus cidadãos paguem depósitos de até 15 mil dólares para obter certos tipos de vistos dos Estados Unidos da América (EUA).
De acordo com a Reuters, a partir de 20 de Agosto, a administração do Presidente dos EUA, Donald Trump, exigirá que os requerentes de países com altas taxas de permanência ilegal após o vencimento do visto – incluindo a Zâmbia e o vizinho Maláui – paguem uma caução de entre 5 mil a 15 mil dólares, no âmbito de um programa-piloto para alguns vistos de turismo e negócios.
“Embora o Governo norte-americano tenha a prerrogativa de iniciar mudanças políticas, o Governo da Zâmbia vê este desenvolvimento com séria preocupação, dadas as suas potenciais implicações económicas no comércio, investimento, turismo e intercâmbio entre povos”, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Zâmbia, Mulambo Haimbe, em comunicado, acrescentando que “isso inclui uma pressão financeira desnecessária sobre os cidadãos zambianos.”
A medida surge num momento em que Trump reprime a imigração ilegal, aumentando os recursos para proteger a fronteira com o México e prendendo pessoas que estão ilegalmente nos EUA.
O valor da caução será devolvido se o requerente deixar os EUA dentro do prazo permitido e cumprir todos os termos do seu visto. Mesmo assim, o rendimento médio das famílias na Zâmbia é de cerca de 150 dólares por mês, de acordo com dados do Governo, o que torna a caução uma quantia avultada neste país da África Austral.
“Para a maioria dos zambianos, este título não é apenas inacessível, é ridículo”, declarou Anthony Mukwita, analista de Relações Internacionais zambiano e ex-diplomata, numa publicação no Facebook.
“Poderia perfurar um poço e levar água potável a uma aldeia inteira. Em vez disso, (o dinheiro) está a ser usado para comprar uma oportunidade de realizar o sonho americano, um sonho que cada vez mais se assemelha a um condomínio fechado com uma taxa de entrada muito cara.”
No Maláui, a ministra das Relações Exteriores, Nancy Tembo, reuniu-se com uma delegação da embaixada dos EUA na quinta-feira para discutir a política.
“A ministra expressou preocupação com o impacto da política sobre os viajantes malauianos cumpridores da lei, e as relações diplomáticas bilaterais em geral”, referiu o Ministério das Relações Exteriores num comunicado.



























































