Moçambique gastou 199,5 milhões de dólares em importações de combustível nos primeiros três meses do ano, pouco mais de 15% da conta total para todo o ano de 2024, que já estava num nível baixo, informou a Lusa, nesta sexta-feira, 8 de Agosto.
De acordo com um relatório estatístico do Banco de Moçambique (BdM), desse total, só em gasóleo o País importou, no primeiro trimestre, 122,3 milhões de dólares, e em gasolina o equivalente a 65,8 milhões de dólares.
Os combustíveis representaram quase metade dos 556,9 milhões de dólares de bens intermédios importados por Moçambique de Janeiro a Março, que incluem ainda energia eléctrica, alumínio, material de construção, óleo e lubrificantes, adubos e fertilizantes, cimento ou alcatrão.
O País enfrentou nos primeiros meses de 2025 uma crise no abastecimento de combustíveis, associada à falta de divisas no mercado, levando o banco central a anunciar medidas para fomentar a disponibilidade de moeda estrangeira para cobrir necessidades de importações.
O custo da importação de combustíveis por Moçambique caiu 15% em 2024, para o equivalente a 1,2 mil milhões de dólares, o valor mais baixo desde a pandemia de covid-19, segundo dados do BdM.
De acordo com um relatório estatístico do banco central, o custo com a importação de combustíveis pelo País de Janeiro a Dezembro ascendeu a quase 1,1 mil milhões de dólares, quando em todo o ano de 2023 atingiu os 1,4 mil milhões de dólares.
Este desempenho acompanha a queda da economia moçambicana, de 4,87% no quarto trimestre de 2024, em termos homólogos, período marcado pela contestação pós-eleitoral no País, segundo dados do Governo.
“O Produto Interno Bruto a preços de mercado (PIBpm) apresentou uma variação negativa de 4,87% no quarto trimestre de 2024, quando comparado com o mesmo período de 2023, perfazendo um acumulado [no ano] de 1,85%”, lê-se no relatório de execução orçamental relativo ao ano passado, do Ministério das Finanças.
Além dos impactos das alterações climáticas, com secas severas e ciclones a fustigarem o País, o documento admite igualmente “o impacto negativo das manifestações pós-eleitorais registadas no último trimestre de 2024”, as quais “afectaram as actividades económicas e sociais.”
De acordo com um relatório estatístico do Banco de Moçambique (BdM), desse total, só em gasóleo o País importou, no primeiro trimestre, 122,3 milhões de dólares, e em gasolina o equivalente a 65,8 milhões de dólares
Em 2020 e 2021, essas importações de combustíveis tinham custado a Moçambique, respectivamente, 541,8 milhões de dólares e 946,9 milhões de dólares, período afectado pela pandemia de covid-19, seguindo-se o valor mais alto dos últimos anos em 2022, de 1,9 mil milhões de dólares.
O BdM anunciou em Junho de 2023 que iria deixar de comparticipar as facturas de importação de combustíveis do País ao exterior, considerando que os valores já podem ser suportados pelos bancos comerciais.
A comparticipação remonta a 2005 e chegou a ser de 100% depois de 2010, porque havia “grandes montantes, que variavam entre a 10 a 20 milhões de dólares numa só factura”, tornando-as incomportáveis para um banco ou conjunto de bancos suportá-la, explicou na altura Silvina de Abreu, administradora do BdM.
Nos últimos anos, “as facturas são bastante fragmentadas”, às vezes da ordem de “um milhão de dólares ou menos”, o que permite que bancos de menor dimensão possam entrar “neste mercado de financiamento para combustíveis”, acrescentou a responsável.

























































