O continente africano possui um enorme potencial de fontes de energias renováveis, especialmente solar. No entanto, a transição energética requer investimentos significativos, infra-estruturas e políticas de apoio, tornando o processo complexo e multifacetado, devido aos desafios relacionados com a pobreza e a necessidade de equilibrar o desenvolvimento económico com a sustentabilidade ambiental.
Neste sentido, com vista a eliminar algumas barreiras, a Associação Moçambicana de Energias Renováveis (AMER) defendeu que deve haver mais cooperação entre as associações africanas ligadas ao ramo da energia, acrescentando que as mesmas funcionam como pontes estratégicas entre os sectores público e privado, para a dinamização do ecossistema de energias renováveis e promoção de soluções inclusivas de acesso à energia nos países africanos, incluindo Moçambique.
Intervindo no Maláui, durante a Conferência Nacional de Energia, realizada de 30 de Julho a 1 de Agosto, a directora-executiva da AMER, Helena Macune, afirmou que garantir o acesso universal à energia é uma prioridade para o desenvolvimento inclusivo, por isso, é crucial fortalecer parcerias e acções coordenadas “para que a energia chegue a todas as comunidades, sem deixar ninguém para trás.”
Falando especificamente no painel sobre o “Papel das Associações Nacionais de Energia na Promoção do Acesso à Energia e Desenvolvimento Socioeconómico”, a responsável reforçou o compromisso da AMER com a transição energética justa, frisando que a entidade que dirige está empenhada em trabalhar para acabar com as desigualdades de género no acesso à energia e no mercado de trabalho.
Citada numa publicação consultada pelo Diário Económico, Helena Macune reforçou o apelo ao investimento em soluções energéticas sustentáveis e escaláveis em Moçambique, defendendo uma maior articulação entre actores nacionais e internacionais para acelerar o progresso do sector e gerar impacto económico e social nas comunidades.
Em Abril, a Associação Moçambicana das Energias Renováveis estimou que o País precisará de 80 mil milhões de dólares (mais de 5 biliões de meticais) até 2050 para financiar a sua estratégia de transição energética para fontes renováveis. Na altura, o presidente da agremiação, Ricardo Pereira, destacou que será necessário um esforço financeiro contínuo a cada ano para atingir esse objectivo, e que o montante será destinado principalmente a projectos de construção de infra-estruturas e à expansão da rede de distribuição de energia no País.
O responsável acrescentou que a Electricidade de Moçambique (EDM) já mobilizou, pelo menos, 323 milhões de dólares (20,4 mil milhões de meticais) para a expansão das infra-estruturas eléctricas em várias regiões do País. “Este investimento visa melhorar a capacidade de distribuição de energia, mas será necessário muito mais para alcançar as metas de transição energética”, salientou.
A AMER também informou que, no caso da energia fora da rede, estão disponíveis cerca de 2,7 mil milhões de dólares (170,6 mil milhões de meticais) para a transição energética. Este financiamento provém de várias fontes, incluindo assistência técnica e directa.
Embora o desafio financeiro seja significativo, o sector das energias renováveis em Moçambique apresenta boas perspectivas de crescimento. “Temos o potencial e os recursos em energia solar, eólica e hídrica suficientes para satisfazer não só as nossas necessidades internas, como também as de alguns dos nossos países vizinhos”, avançou o presidente da AMER, ressaltando o grande potencial de Moçambique para o desenvolvimento dessas fontes de energia.























































