O Parque Nacional de Maputo, reserva protegida e localizada a 70 quilómetros da capital moçambicana, na região Sul de Moçambique, destaca-se pela diversidade de ecossistemas e riqueza biológica, com florestas, savanas, pântanos, mangais, recifes de coral, dunas, zonas húmidas e áreas costeiras que abrigam centenas de espécies da fauna e da flora, constituindo um refúgio natural para espécies marinhas e terrestres.
No dia 13 de Julho corrente, o parque foi reconhecido como Património Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), uma decisão que foi tomada durante a 47.ª sessão do Comité do Património Mundial da UNESCO, que decorreu entre 7 e 16 de Julho em Paris, França.
Esta distinção serviu para colocar Moçambique no centro das atenções globais em termos de conservação ambiental e turismo sustentável. Segundo algumas fontes, a atribuição internacional representa uma oportunidade concreta de desenvolvimento, não só para o sector do turismo, mas também para as comunidades locais e para a economia nacional.
O reconhecimento implica uma maior protecção jurídica e institucional do território e um reforço do compromisso do Estado para com a conservação a longo prazo. A Convenção do Património Mundial, adoptada pela UNESCO em 1972, tem como objectivo “proteger bens naturais e culturais de valor universal excepcional.”
Neste contexto, o Diário Económico desafiou Muhammad Abdullah, presidente do pelouro do Turismo da CTA e CEO da COTUR, a principal agência de viagens do País, a analisar o impacto deste reconhecimento e tentar perceber os ganhos que o País poderá ter.
O Parque Nacional de Maputo foi reconhecido, recentemente, como Património Mundial pela UNESCO. Que significado concreto tem este reconhecimento para Moçambique, especialmente no contexto da conservação ambiental?
O recente reconhecimento do Parque Nacional de Maputo como Património Mundial pela UNESCO representa um marco significativo para Moçambique, sobretudo no contexto da conservação ambiental. Esta distinção internacional reconhece o valor ecológico e paisagístico excepcional do parque, que abriga uma impressionante diversidade de ecossistemas terrestres, costeiros e marinhos, incluindo florestas, savanas, zonas húmidas, recifes de coral e mangais. Ao ser inscrito na lista do Património Mundial, o parque passa a beneficiar de uma protecção acrescida e de um compromisso reforçado por parte do Estado moçambicano e da comunidade internacional, com a sua preservação a longo prazo.
Para além do reforço das medidas de conservação, o estatuto traz consigo uma maior visibilidade internacional, o que contribui directamente para a atracção de investimentos e parcerias estratégicas, tanto de organizações governamentais como da sociedade civil, promovendo programas de desenvolvimento sustentável, investigação científica e combate à caça furtiva. O reconhecimento fortalece também a cooperação transfronteiriça com parques vizinhos, nomeadamente o iSimangaliso, na África do Sul, com o qual partilha corredores ecológicos e estratégias de gestão conjunta.

Adicionalmente, esta classificação tem um impacto positivo no ecoturismo, uma vez que aumenta o interesse global pelo destino e valoriza o turismo baseado na natureza e na cultura local. Este incremento de visitantes, se bem gerido, poderá gerar benefícios económicos directos para as comunidades locais, incentivando práticas sustentáveis e criando novas oportunidades de emprego e inclusão social. Neste sentido, o reconhecimento da UNESCO serve não só como um selo de qualidade ambiental, mas também como uma ferramenta de desenvolvimento equilibrado entre conservação e progresso económico.
Em resumo, o reconhecimento do Parque Nacional de Maputo como Património Mundial é um motivo de orgulho para Moçambique e um passo importante no compromisso com a protecção do meio ambiente, com o desenvolvimento sustentável e com a valorização da identidade natural do país.
Este parque passa agora a integrar uma rede transfronteiriça com o iSimangaliso Wetland Park da África do Sul. Que oportunidades pode trazer esta ligação para o turismo entre os dois países?
A integração do Parque Nacional de Maputo com o iSimangaliso Wetland Park da África do Sul numa rede transfronteiriça representa uma oportunidade estratégica para impulsionar o turismo entre ambos os países, promovendo uma abordagem regional e complementando o ecoturismo. Esta ligação permite a criação de um destino turístico contínuo, que oferece aos visitantes uma experiência única de travessia entre dois patrimónios naturais de excepcional valor, com ecossistemas diversos e paisagens preservadas, que se estendem desde as planícies alagadas até às zonas costeiras e recifes de coral.
Do ponto de vista operacional, a cooperação transfronteiriça pode facilitar a criação de produtos turísticos integrados, como rotas ecológicas binacionais, safáris combinados, expedições culturais e experiências comunitárias partilhadas. A harmonização de políticas de vistos e de circulação, bem como a melhoria das infra-estruturas de acesso, poderão tornar o destino mais competitivo a nível regional e internacional, atraindo viajantes que procuram experiências autênticas e sustentáveis.

Além disso, esta parceria pode fortalecer o marketing turístico conjunto entre Moçambique e África do Sul, criando sinergias na promoção de um corredor ecológico comum que valorize os pontos fortes de ambos os lados da fronteira. A cooperação impulsiona também o investimento em projectos de hospitalidade, a formação de guias locais, a protecção da biodiversidade e a inclusão das comunidades vizinhas nas cadeias de valor do turismo.
Em síntese, a ligação entre os dois parques não só enriquece a oferta turística da região como promove a integração económica e ambiental entre Moçambique e África do Sul, posicionando a zona como uma referência de turismo transfronteiriço sustentável em África.
Em termos práticos, que mudanças podemos esperar para o turismo moçambicano após esta distinção internacional?
Em termos práticos, a distinção do Parque Nacional de Maputo como Património Mundial pela UNESCO deverá trazer mudanças significativas e positivas para o turismo moçambicano. A começar por uma maior visibilidade internacional, o parque passará a figurar entre os destinos naturais mais prestigiados do mundo, o que naturalmente atrairá mais atenção de operadores turísticos, investidores e visitantes estrangeiros interessados em ecoturismo, em natureza intocada e na biodiversidade.
Esta notoriedade poderá resultar num aumento do fluxo turístico, especialmente de viajantes que procuram experiências autênticas e sustentáveis em locais classificados pela UNESCO. Consequentemente, espera-se uma maior procura por serviços turísticos na região, desde alojamentos ecológicos a visitas guiadas ou transporte e gastronomia local, o que impulsionará o crescimento económico das comunidades envolventes e estimulará a criação de emprego.
No dia 13 de Julho corrente, o parque foi reconhecido como Património Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), uma decisão que foi tomada durante a 47.ª sessão do Comité do Património Mundial da UNESCO, que decorreu entre 7 e 16 de Julho em Paris, França
A nível estrutural, esta distinção exigirá também melhorias na gestão e infra-estrutura turística. Para manter o padrão exigido pela UNESCO, Moçambique deverá reforçar a capacidade institucional do parque, apostar em centros de interpretação ambiental, em sinalização adequada, na formação de guias locais e em mecanismos eficazes de monitorização ambiental. Estas melhorias contribuirão para elevar a qualidade da experiência turística e promover práticas sustentáveis no sector.
Além disso, a distinção poderá atrair maior financiamento internacional, através de doações, parcerias com organizações não-governamentais e projectos de cooperação técnica voltados para a conservação e desenvolvimento turístico sustentável. Tal permitirá implementar planos de turismo de baixo impacto que valorizem o património natural e cultural local, respeitando os ecossistemas sensíveis do parque.
Por fim, a inclusão do parque na rede transfronteiriça com o iSimangaliso Wetland Park da África do Sul abre espaço para programas de turismo binacional, facilitando rotas conjuntas e estratégias de promoção turística regional, o que aumenta o tempo de permanência dos turistas e a sua contribuição económica. Em suma, Moçambique poderá beneficiar de um turismo mais qualificado, sustentável e competitivo, alinhado a padrões internacionais de excelência e conservação.
O que é necessário para que Moçambique aproveite ao máximo o potencial turístico que esta nomeação oferece?
Para que Moçambique tire o maior proveito possível da nomeação do Parque Nacional de Maputo como Património Mundial da UNESCO, é fundamental investir em infra-estruturas sustentáveis que melhorem o acesso e a experiência dos visitantes, sem comprometer a conservação ambiental. Estradas, alojamentos ecológicos e centros de interpretação são essenciais para atrair turistas e garantir qualidade nos serviços prestados.
Outro ponto crucial é a capacitação das comunidades locais e dos operadores turísticos. Formações em hospitalidade, guias de natureza, línguas estrangeiras e empreendedorismo permitirão que as populações beneficiem directamente do turismo, promovendo inclusão económica e reforçando a autenticidade da experiência oferecida.

Moçambique deve também intensificar a promoção do destino a nível internacional, aproveitando o prestígio da distinção da UNESCO para atrair visitantes, parcerias e investimentos. Campanhas de marketing, presença em feiras de turismo e colaboração com operadores globais podem posicionar o País como um destino de ecoturismo de referência e, acima de tudo, no marketing digital e redes sociais, contexto que define a preferência do mercado internacional cada vez mais.
Por fim, é importante fortalecer a gestão do parque com uma equipa técnica capacitada e mecanismos de monitorização ambiental eficazes. Com planeamento estratégico, integração regional e compromisso com a sustentabilidade, Moçambique poderá transformar esta conquista num motor de desenvolvimento turístico e conservação ambiental.
Que impacto pode ter esta distinção na economia local e nacional nos próximos anos, e quais os sectores da economia que podem ser directamente beneficiados com o aumento do fluxo turístico para o parque?
A distinção do Parque Nacional de Maputo como Património Mundial da UNESCO poderá ter um impacto económico significativo, tanto a nível local como nacional, nos próximos anos. Ao atrair mais turistas nacionais e internacionais, esta nomeação cria oportunidades para dinamizar a economia em torno do parque, e posicionar Moçambique como um destino de ecoturismo de excelência.
A nível local, espera-se um aumento na criação de empregos directos e indirectos, especialmente nas áreas de hotelaria, restauração, guias turísticos, transporte e artesanato. O turismo gera procura por produtos e serviços locais, estimulando pequenas e médias empresas e fomentando o empreendedorismo nas comunidades vizinhas. Além disso, a maior circulação de visitantes poderá incentivar investimentos em infra-estruturas públicas e serviços básicos, com benefícios duradouros para a população residente.
A nível nacional, o reconhecimento internacional contribui para diversificar a economia e reduzir a dependência de sectores extractivos. O turismo sustentável torna-se uma fonte importante de receitas, divisas e desenvolvimento regional. Sectores como o comércio, agricultura (para abastecimento hoteleiro), transportes e construção civil (em projectos turísticos) poderão ser directamente beneficiados com o crescimento do fluxo turístico para o parque. Em suma, esta distinção tem o potencial de impulsionar o crescimento económico de forma inclusiva e sustentável, desde que acompanhada de políticas públicas adequadas, parcerias estratégicas e uma gestão turística responsável.
O sector turístico foi duramente afectado pela pandemia da covid-19. Este reconhecimento pode funcionar como um novo impulso económico para operadores turísticos e negócios locais?
Sim, este reconhecimento pode funcionar como um importante impulso económico para o sector turístico moçambicano, especialmente após os impactos devastadores causados pela pandemia da covid-19. A classificação do Parque Nacional de Maputo como Património Mundial da UNESCO oferece uma oportunidade concreta de reposicionar o turismo nacional como uma actividade estratégica para a retoma económica.
Para os operadores turísticos e negócios locais, este selo de prestígio internacional representa uma poderosa ferramenta de marketing, capaz de atrair novos visitantes, reactivar pacotes turísticos e gerar confiança junto de mercados emissores internacionais. A visibilidade acrescida pode estimular a procura por experiências ligadas à natureza, que se tornaram ainda mais valorizadas após a pandemia, num contexto de maior procura por destinos sustentáveis, menos massificados e ao ar livre.
Além disso, o parque poderá atrair turistas internacionais de longa distância (especialmente da Europa e América do Norte) e visitantes da África Austral, interessados em combinar roteiros regionais, dada a ligação transfronteiriça com o iSimangaliso Wetland Park da África do Sul. Existe também potencial para atrair turismo científico e educacional, com investigadores, estudantes e voluntários em projectos de conservação
Além disso, o aumento do fluxo turístico para o parque poderá beneficiar directamente os pequenos empreendedores, como guias locais, artesãos, restaurantes, transportadores e alojamentos comunitários, muitos dos quais viram as suas actividades severamente reduzidas durante o período pandémico. A recuperação do sector pode, assim, ocorrer de forma mais inclusiva e descentralizada, contribuindo para o desenvolvimento socioeconómico das zonas rurais.
Em suma, este reconhecimento tem o potencial de ser um catalisador para a revitalização do turismo em Moçambique, promovendo um crescimento mais resiliente, sustentável e orientado para a valorização dos recursos naturais e culturais do País.
Acredita que Moçambique pode vir a atrair mais investimentos internacionais no sector do turismo sustentável após esta nomeação?
Sim, Moçambique tem fortes condições para atrair mais investimentos internacionais no sector do turismo sustentável após a nomeação do Parque Nacional de Maputo como Património Mundial da UNESCO. Esta distinção funciona como um selo de qualidade global, aumentando a visibilidade e a credibilidade do País junto de investidores estrangeiros que procuram destinos comprometidos com a conservação e o desenvolvimento responsável.
Além disso, o novo estatuto facilita o acesso a fundos internacionais específicos para áreas protegidas e projectos de ecoturismo. Agências de cooperação, ONG e instituições financeiras demonstram maior interesse em apoiar destinos com reconhecimento da UNESCO, o que pode acelerar a captação de recursos para a infra-estrutura ecológica, capacitação local e protecção ambiental.
Moçambique dispõe já de incentivos ao investimento no turismo e tem vindo a melhorar o seu ambiente de negócio. Com esta nomeação, o País poderá posicionar-se de forma mais competitiva na região, atraindo investimentos em lodges ecológicos, actividades de natureza, turismo comunitário e iniciativas de baixo impacto ambiental. Em resumo, trata-se de uma oportunidade concreta para impulsionar o turismo sustentável e gerar desenvolvimento económico com base na valorização do património natural.
Como é que as comunidades que vivem perto do Parque devem beneficiar directamente com esta distinção? Que medidas podem ser tomadas para garantir a inclusão económica e cultural destas populações no processo de desenvolvimento turístico?
As comunidades que vivem ao redor do Parque Nacional de Maputo devem beneficiar directamente desta distinção através da criação de emprego, geração de rendimento e valorização das suas práticas culturais. O aumento do turismo pode impulsionar actividades como as de guias locais, alojamentos comunitários, venda de artesanato e fornecimento de produtos para o sector hoteleiro.
Para garantir esta inclusão, é essencial investir na formação das populações em várias áreas — ecoturismo, hospitalidade e empreendedorismo. É também importante envolver as comunidades na gestão do parque e nos processos de decisão, assegurando que parte das receitas turísticas reverta para projectos sociais e infra-estruturas locais.
Além disso, a valorização da cultura e dos conhecimentos tradicionais deve ser incentivada, integrando-os de forma respeitosa na oferta turística. Com estas medidas, o desenvolvimento do turismo pode tornar-se uma ferramenta eficaz para melhorar a qualidade de vida das populações locais, de forma sustentável e participativa.
Existem exemplos ou projectos que já estejam a integrar as comunidades na cadeia de valor do turismo ecológico na região do Parque Nacional de Maputo?
Sim, já existem. Um dos exemplos é a promoção da apicultura, que permitiu a dezenas de famílias produzir e vender mel como fonte de rendimento sustentável. Há também iniciativas de artesanato local, relacionadas com a valorização cultural e venda para turistas.
Outro projecto importante envolve a melhoria do acesso à água para consumo humano e agricultura, o que ajuda a reduzir a pressão sobre os recursos naturais do parque, ao mesmo tempo que apoia a subsistência das comunidades. Além disso, parte das receitas geradas pelo parque (cerca de 20%) é canalizada directamente para as comunidades vizinhas.
Estão a ser criadas também oportunidades de emprego, como trabalhos de manutenção de estradas e formação de jovens locais como guias turísticos. Estes exemplos mostram um esforço concreto para garantir que o desenvolvimento do turismo beneficia, de forma directa e inclusiva, as populações locais.
Um dos desafios apontados é equilibrar o crescimento do turismo com a conservação dos ecossistemas. Como garantir que o ecossistema do parque não sofra ou não seja negativamente afectado com a pressão de um eventual aumento de visitantes? Quais são os principais riscos associados a este tipo de exposição internacional para um parque natural?
Garantir que o ecossistema do Parque Nacional de Maputo não sofra com o aumento do turismo exige um planeamento rigoroso. Um plano de gestão sustentável deve ser implementado, definindo limites de visitantes e áreas de visitação para evitar a sobrecarga. Além disso, é essencial investir em infra-estruturas ecológicas, como trilhos e alojamentos de baixo impacto, além de promover a educação ambiental entre turistas e operadores.
Os principais riscos de exposição internacional incluem a degradação ambiental por pisoteio e lixo, a pressão sobre recursos naturais como água e solo, o crescimento desordenado de empreendimentos turísticos e a possível perda de autenticidade cultural. Para mitigar estes riscos, é crucial adoptar um modelo de turismo que seja bem regulado, com a participação das comunidades locais e o foco na conservação do parque, garantindo benefícios duradouros para todos os envolvidos.
Actualmente, o País tem capacidade para acolher um volume maior de turistas naquela zona em termos de infra-estrutura, serviços, gestão ambiental e fiscalização?
Actualmente, Moçambique enfrenta ainda limitações significativas para acolher um volume maior de turistas na região do Parque Nacional de Maputo. Em termos de infra-estruturas, embora existam melhorias em curso, o acesso ao parque continua a ser desafiante, especialmente em épocas de chuva, e a oferta de alojamentos ecológicos e serviços turísticos ainda é reduzida e concentrada.
No que toca à gestão ambiental e fiscalização, os recursos humanos e materiais são limitados, dificultando o controlo eficaz da actividade turística, a vigilância contra a caça furtiva e o cumprimento das normas de conservação. A capacidade institucional para gerir um parque com estatuto de Património Mundial requer reforço urgente, incluindo formação técnica, equipamentos e sistemas de monitorização ambiental.

Já no domínio dos serviços turísticos, como guias qualificados, segurança, comunicações e atendimento ao visitante, há avanços, mas ainda longe de responderem a um grande aumento de procura. É também necessário melhorar a integração das comunidades locais na cadeia de valor para garantir benefícios sociais e sustentabilidade.
Em resumo, embora o reconhecimento da UNESCO seja uma oportunidade estratégica, será necessário um investimento consistente e coordenado para que o País esteja realmente preparado para receber mais turistas de forma responsável e sustentável naquela zona.
Que tipo de turistas o Parque Nacional de Maputo está mais apto a atrair neste novo momento?
Neste novo momento, com o reconhecimento como Património Mundial da UNESCO, o Parque Nacional de Maputo está especialmente apto a atrair turistas de natureza e ecoturismo, ou seja, viajantes interessados em experiências autênticas, ligadas à biodiversidade, paisagens naturais intocadas e contacto com culturas locais.
Estes turistas valorizam destinos sustentáveis, com menor densidade populacional, e procuram actividades como a observação de fauna, caminhadas ecológicas, turismo fotográfico, mergulho, canoagem e visitas guiadas com enfoque na conservação ambiental. Muitos deles viajam com maior consciência ecológica, estão dispostos a pagar por experiências de qualidade e preferem alojamentos com impacto reduzido no meio ambiente.

Além disso, o parque poderá atrair turistas internacionais de longa distância (especialmente da Europa e América do Norte) e visitantes da África Austral, interessados em combinar roteiros regionais, dada a ligação transfronteiriça com o iSimangaliso Wetland Park da África do Sul. Existe também potencial para atrair turismo científico e educacional, com investigadores, estudantes e voluntários em projectos de conservação.
Em resumo, o perfil mais compatível com a oferta actual do parque é o de um turista consciente, activo, com sensibilidade ambiental e interesse em experiências exclusivas e sustentáveis.
Que passos concretos devem dar, agora, o Governo e os operadores turísticos para consolidar esta conquista e transformá-la num motor de desenvolvimento sustentável? Por outras palavras, quais devem ser as prioridades do Executivo após este reconhecimento?
Após o reconhecimento do Parque Nacional de Maputo como Património Mundial da UNESCO, o Governo de Moçambique e os operadores turísticos devem actuar de forma coordenada para consolidar esta conquista e transformá-la num verdadeiro motor de desenvolvimento sustentável. A primeira prioridade deve ser a implementação de um plano de gestão integrado e participativo, que defina claramente as zonas de uso, os limites de visitação e as regras de conservação, com o envolvimento das comunidades locais e dos parceiros relevantes.
É também essencial investir em infra-estruturas ecológicas e acessos adequados ao parque, garantindo que os visitantes tenham uma experiência de qualidade sem comprometer o meio ambiente. Melhorias nas estradas, sinalização, centros de visitantes e alojamentos sustentáveis são fundamentais para aumentar a atractividade e o conforto, respeitando os princípios da sustentabilidade.

Outro passo importante é apostar na formação e capacitação das populações locais. Criar oportunidades para que os residentes se tornem guias, empreendedores, artesãos ou prestadores de serviços turísticos não só promove a inclusão económica, como fortalece a identidade cultural da região. Esta capacitação deve ser acompanhada por políticas de incentivo ao investimento privado responsável e sustentável.
Além disso, o Governo e os operadores devem desenvolver uma estratégia eficaz de promoção turística, destacando o estatuto da UNESCO, a biodiversidade do parque e a sua ligação transfronteiriça com a África do Sul. Participar em feiras internacionais, estabelecer parcerias com operadores globais e criar campanhas de marketing digital serão fundamentais para atrair visitantes e investidores.
Por fim, é necessário estabelecer mecanismos de monitorização contínua dos impactos ambientais e sociais do turismo, ajustando políticas e práticas sempre que necessário. Só com uma abordagem integrada e responsável será possível garantir que esta distinção se traduza em benefícios duradouros para a conservação, a economia e as comunidades moçambicanas.
Texto: Germano Ndlovo


























































