A Zâmbia recebeu 184 milhões de dólares do Fundo Monetário Internacional (FMI), na sequência da quinta avaliação do Programa de Facilidade de Crédito Alargada. Com este novo desembolso, o montante total disponibilizado ao abrigo do programa ascende a aproximadamente 1,6 mil milhões de dólares, desde a sua aprovação em Agosto de 2022, informou a Bloomberg.
O acordo, com uma duração de 38 meses, visa reforçar a estabilidade macroeconómica, restaurar a sustentabilidade orçamental e da dívida, melhorar a governação e impulsionar um crescimento económico mais inclusivo. O FMI salientou que o sucesso do programa depende do avanço consistente das reformas em curso.
Segundo a primeira vice-directora-geral do FMI, Gita Gopinath, “a economia da Zâmbia mostrou maior resiliência do que o inicialmente esperado, apesar de ter enfrentado uma seca histórica em 2024”. De acordo com o fundo, a recuperação dos sectores agrícola, mineiro e de serviços está a contribuir significativamente para a retoma económica.
As previsões apontam para um crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de 4% em 2024, acelerando para 5,8% em 2025. A inflação, que já começou a recuar, deverá diminuir para 11% até ao final de 2025, impulsionada pela melhoria na produção agrícola e pelo bom desempenho das indústrias mineira e de serviços.
Apesar destes progressos, o FMI identificou falhas em três metas indicativas: as receitas fiscais fora do sector mineiro ficaram abaixo do esperado, continuam a verificar-se atrasos nos pagamentos e a acumulação de reservas foi inferior ao previsto. Dos 14 objectivos estruturais definidos no programa, apenas seis foram cumpridos, quatro foram adiados e os restantes quatro transferidos para a próxima avaliação.
Ainda assim, o fundo concedeu uma derrogação à Zâmbia por não ter cumprido um critério de desempenho relacionado com o endividamento externo não concessional no quarto trimestre de 2024. O orçamento revisto para 2025, já alinhado com os compromissos do programa, incluiu uma acção prévia considerada essencial para a aprovação desta quinta revisão.
O FMI considerou que a dívida pública da Zâmbia é agora sustentável, embora o país continue exposto a elevados riscos de instabilidade. Já foram alcançados acordos preliminares com a maioria dos credores comerciais externos, e prosseguem as negociações com os credores oficiais.
Por fim, o fundo apelou à continuação das reformas na governação, no sector da energia e no combate à corrupção, como forma de garantir um crescimento económico duradouro e mais equitativo.

























































