A Google DeepMind desenvolveu um novo sistema de Inteligência Artificial (IA) que promete revolucionar o estudo das inscrições romanas antigas, preenchendo lacunas em textos danificados e prevendo a sua origem com uma precisão impressionante.
Baptizada de Aeneas, em homenagem ao herói troiano da mitologia, a ferramenta foi treinada com uma base de dados de cerca de 200 mil inscrições latinas, totalizando 16 milhões de caracteres. O sistema é capaz de estimar quando e onde os textos foram produzidos, bem como sugerir palavras em falta em fragmentos corroídos pelo tempo.
Os historiadores envolvidos no projecto descreveram o impacto como “transformador”. De acordo com a pesquisadora Thea Sommerschield, da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, que colaborou com a Google no desenvolvimento da IA, o objectivo era enfrentar o desafio de interpretar, atribuir e restaurar textos fragmentados. “Aeneas ajuda a contextualizar essas inscrições, o que é fundamental para compreender a vida quotidiana na Roma Antiga”, explicou.
De acordo com o site Época Negócios, as inscrições romanas são fontes históricas valiosas e diversificadas, que vão desde decretos imperiais e poemas de amor até registos comerciais e epitáfios. Estima-se que cerca de 1500 novas inscrições sejam descobertas a cada ano, muitas delas incompletas ou fora de contexto.
Durante os testes, Aeneas analisou inscrições famosas, como a Res Gestae Divi Augusti (Actos do Divino Augusto), uma narrativa escrita pelo imperador romano Augusto, chegando a datas semelhantes às debatidas pelos estudiosos. Noutro exemplo, a ferramenta identificou conexões linguísticas entre altares votivos na actual Alemanha, revelando influências históricas que antes eram ignoradas.
De acordo com Jonathan Prag, professor da Universidade de Oxford, nos Estados Unidos, a ferramenta amplia o acesso à pesquisa epigráfica, que antes era restrita àqueles com amplo conhecimento prévio ou acesso a bibliotecas especializadas. “Ela democratiza o estudo dessas fontes, mas requer ainda uso crítico”, alertou.
Os resultados da pesquisa foram publicados na quarta-feira (23) na revista científica Nature, e o Aeneas já está disponível online para pesquisadores.


























































