O Banco Mundial vai financiar o projecto hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa, em Moçambique, avaliado em 6,4 mil milhões de dólares (406,4 mil milhões de meticais). Será a maior central hidroeléctrica construída na África Austral em meio século.
A garantia foi dada pelo presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, durante uma visita ao País. O apoio inclui financiamento sob forma de dívida e capital próprio, bem como garantias de risco e seguros. O projecto compreende a barragem de Mphanda Nkuwa, orçada em 5 mil milhões de dólares (317,5 mil milhões de meticais), localizada no rio Zambeze, e um projecto associado de transmissão eléctrica avaliado em 1,4 mil milhões de dólares (88,9 mil milhões de meticais).
“Queremos ser o centro energético da nossa região, a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC)”, afirmou o Presidente da República, Daniel Chapo, à agência Bloomberg, sublinhando a ambição do País em tornar-se um actor regional no sector energético.
Com uma capacidade instalada de 1500 megawatts (MW), a central deverá estar operacional por volta de 2031, integrando o programa “Missão 300”, promovido pelo Banco Mundial. O objectivo é garantir acesso à electricidade a 300 milhões de pessoas na África Subsaariana até 2030. A região alberga mais de 80% das 680 milhões de pessoas em todo o mundo que ainda vivem sem acesso à energia eléctrica.
O consórcio responsável pela construção da barragem inclui a Éléctricité de France, a TotalEnergies e a Sumitomo Corporation. O Estado moçambicano, através da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), deterá igualmente uma participação no empreendimento.
O Banco Mundial, através da sua Corporação Financeira Internacional (IFC), fornecerá parte do financiamento e adquirirá uma participação na barragem. O Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) deverá emitir garantias de risco, enquanto a Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA) financiará concessionalmente os 1300 quilómetros de linhas de transmissão. A Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (MIGA) fornecerá seguros contra riscos políticos.

As linhas de transmissão serão construídas com crédito directo ao Governo e permitirão integrar a produção de Mphanda Nkuwa à rede eléctrica do sul do País, uma das três redes isoladas, garantindo o abastecimento de regiões como Maputo e a exportação de energia para países vizinhos, como Zâmbia, Maláui e Zimbabué.
O projecto situa-se a jusante da barragem de Cahora Bassa, construída em 1974 com uma capacidade de 2075 MW. Actualmente, cerca de 60% da electricidade produzida em Cahora Bassa é exportada directamente para a África do Sul, reflectindo o modelo colonial em que foi concebida.
A nova infra-estrutura será construída com um “reservatório significativamente menor que o de Cahora Bassa”, que cobre cerca de três mil quilómetros quadrados. O objectivo é reduzir os impactos sociais e ambientais, distinguindo-se também da albufeira de Kariba, no Zambeze, que ocupa mais de cinco mil quilómetros quadrados e é o maior reservatório artificial do mundo em volume.
Segundo Ajay Banga, “o projecto faz parte de um plano de cinco a dez anos que visa expandir a capacidade energética do País, com a construção de centrais adicionais de 400 MW e 200 MW a montante, o aumento da capacidade de Cahora Bassa em mais de 50, e a criação de uma central solar de 400 MW”. Parte destas iniciativas poderá ser integrada no novo quadro de parceria entre Moçambique e o Banco Mundial.
Para além de aumentar as receitas com exportação de electricidade, que atingiram 240 milhões de dólares (15,2 mil milhões de meticais) no ano passado, o Governo pretende também impulsionar a transformação local de recursos minerais, como grafite e berílio, e acelerar a ligação de mais cidadãos à rede eléctrica. Actualmente, cerca de 64% dos 33 milhões de habitantes têm acesso à electricidade, o dobro do registado em 2018.



























































