Os lucros da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), operadora petrolífera estatal, caíram para metade em 2024, somando 1,7 mil milhões de meticais (26,7 milhões de dólares), segundo dados oficiais consultados nesta segunda-feira, 21 de Julho, pela agência Lusa.
Segundo o órgão, este desempenho contrasta com os resultados líquidos positivos de 3,5 mil milhões de meticais (55 milhões de dólares) registados em 2023, os quais representaram então um crescimento de sete vezes em relação ao ano anterior, justificado, à época, segundo a administração, com o “aumento considerável das receitas de vendas de gás natural.”
De acordo com o documento que apresenta as demonstrações financeiras até 31 de Dezembro de 2024, além da quebra nos lucros, a ENH encerrou o ano com um activo total de 28,7 mil milhões de meticais (452 milhões de dólares) e um passivo que subiu ligeiramente para 8,9 mil milhões de meticais (140 milhões de dólares).
A ENH, que possui um capital social de 749 milhões de meticais (11,8 milhões de dólares), totalmente subscrito pelo Estado, exerce a sua actividade subordinada ao Ministério dos Recursos Naturais e Energia, tendo como objectivo principal a actividade petrolífera, “nomeadamente a prospecção, pesquisa, desenvolvimento, produção, transporte, transmissão e comercialização de hidrocarbonetos e seus derivados”, incluindo a importação e exportação.
O mesmo relatório indica que a ENH distribuiu dividendos ao Estado no valor de 1,2 mil milhões de meticais (18,9 milhões de dólares) em 2024, relativos ao exercício do ano anterior, e de 877,6 milhões de meticais (13,8 milhões de dólares) em 2023.
Este desempenho contrasta com os resultados líquidos positivos de 3,5 mil milhões de meticais (55 milhões de dólares) registados em 2023, os quais representaram então um crescimento de sete vezes em relação ao ano anterior
A ENH explica que é concessionária, juntamente com outras entidades, de licenças atribuídas pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia para a realização de actividades de pesquisa, desenvolvimento e produção de petróleo em Moçambique, em 11 concessões, detendo participações que variam entre 10% e 30%.
Em 2021, a petrolífera registara um resultado líquido negativo de 153,1 milhões de meticais (2,4 milhões de dólares), que passou a lucros de 461,9 milhões de meticais (7,3 milhões de dólares) em 2022, com as vendas de bens e serviços (essencialmente gás) a praticamente duplicarem para 960,2 milhões de meticais (15,1 milhões de dólares).
Em 2023, as receitas da ENH com a venda de gás natural ultrapassaram os 1,6 mil milhões de meticais (25,1 milhões de dólares), valor próximo do dobro do registado em 2022.
Criada em 1981, a ENH participa em todas as operações petrolíferas e nas respectivas fases das actividades de pesquisa, exploração, produção, refinação, transporte, armazenagem e comercialização de hidrocarbonetos e dos seus derivados, incluindo Gás Natural Liquefeito (LNG) e Gás para Líquidos (GTL), dentro e fora do País.
A ENH encerrou o ano [de 2024] com um activo total de 28,7 mil milhões de meticais (452 milhões de dólares) e um passivo que subiu ligeiramente para 8,9 mil milhões de meticais (140 milhões de dólares)
O País conta com três projectos de desenvolvimento aprovados para a exploração das reservas de gás natural da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo da costa da província de Cabo Delgado. Para além do projecto já em produção operado pela Eni, destacam-se os projectos Mozambique LNG (Área 1), operado pela TotalEnergies, com uma capacidade até 43 milhões de toneladas por ano (mtpa), e o Rovuma LNG (Área 4), operado pela ExxonMobil, com 18 mtpa, ainda em fase de desenvolvimento.
Em 2024, um estudo da consultora Deloitte concluiu que as reservas de GNL de Moçambique representam receitas potenciais de 100 mil milhões de dólares (6,35 biliões de meticais), sublinhando a importância internacional do País na transição energética.
Só neste ano, ainda sem o início das restantes operações, a produção moçambicana estimada de gás é de 5,4 mil milhões de metros cúbicos, colocando o País como o sexto maior produtor em África.




























































