Um grupo de alegados terroristas atacou uma ambulância do serviço de saúde do distrito de Mueda, norte da província de Cabo Delgado, levando medicamentos e bens dos doentes, noticiou a Lusa.
Segundo informou, o ataque aconteceu na sexta-feira (18), no troço entre Awasse e Macomia, ao longo da Estrada Nacional 380 (N380), uma das poucas asfaltadas do norte da província, logo depois de o motorista da ambulância avistar na via homens encapuzados que o obrigaram a parar.
“Ia para Pemba e os homens mandaram parar e obrigaram-nos todos a descer”, afirmou a fonte, acrescentando que a viatura foi levada para a mata e saqueada pelos atacantes, que levaram suplementos destinados a doentes e bens dos ocupantes.
Os cinco ocupantes, incluindo o motorista, foram libertados “após pagarem 10 mil meticais cada um”.
“Em menos de cinco minutos a ambulância já estava no mato. De lá levaram um computador e um telemóvel de uma colega, bem como suplementos de doentes”, descreveu.
“Até este momento, contabilizámos 104 viaturas [interpeladas], até sábado. É um número que aterroriza, porque o resgate é maior, os valores ali variam de 200 a 350 mil meticais. Se você não tem, a viatura é incendiada”, declarou Mamudo Irache, da Confederação das Associações Económicas – CTA, maior representante do sector privado do País.
Segundo o representante provincial, a alegada cobrança de valores por supostos grupos insurgentes como condição para circular ocorre desde Janeiro, no troço entre a localidade de Awasse, no distrito de Mocímboa da Praia, e no distrito de Macomia, antes palcos de sucessivos ataques de grupos terroristas.
Além da cobrança de dinheiro, Mamudo Irache alertou também para o aumento de raptos em vias que ligam os distritos mais à norte de Cabo Delgado, face à retirada de escoltas militares, uma medida que, até há pouco tempo, funcionava principalmente no trajecto entre Macomia e Awasse.
A província de Cabo Delgado, situada no Norte do País, rica em gás, enfrenta desde 2017 uma rebelião armada, que provocou milhares de mortos e uma crise humanitária, com mais de um milhão de pessoas deslocadas
“Nesta primeira fase que as incertezas acontecem pedíamos a retoma de escolta, este é o primeiro ponto. Retomando a escolta, obviamente que os empresários se sentiriam seguros”, referiu o responsável, pedindo também que sejam colocadas posições militares em zonas consideradas perigosas.
“Como são as áreas identificadas [onde] sempre têm acontecido os actos de raptos, colocarmos uma posição permanente nesta via talvez pudesse ajudar-nos, como empresários, e poderia ajudar a região”, apontou o presidente do conselho empresarial de Cabo Delgado.
Numa menção a um encontro com o governo provincial, ocorrido na terça-feira, o presidente da Associação dos Transportadores Rodoviários de Cabo Delgado, Cassimo Ibraimo, referiu ter apresentando o mesmo problema, reiterando que a “situação é preocupante” na província.
A província de Cabo Delgado, situada no Norte do País, rica em gás, enfrenta desde 2017 uma rebelião armada, que provocou milhares de mortos e uma crise humanitária, com mais de um milhão de pessoas deslocadas.


























































