A Associação de Transporte Rodoviário da África do Sul (RFA, sigla em inglês) defende uma maior integração entre os sistemas rodoviário e ferroviário como resposta à sobrecarga das estradas e aos desafios logísticos enfrentados pela região da África Austral, incluindo Moçambique, informou, esta sexta-feira, o portal de notícias Engineering News.
Segundo o director executivo da RFA, Gavin Kelly, “o actual modelo de transporte, excessivamente dependente de camiões para o escoamento de carga pesada e a longa distância, é insustentável”. A associação propõe um modelo “hub-and-spoke”, no qual a ferrovia assume o papel central no transporte de grandes volumes de carga, como minérios e bens agrícolas, desde os centros de produção no interior até aos portos e zonas industriais, ficando o transporte rodoviário responsável pelas ligações de curta distância entre as áreas de produção e a rede ferroviária principal.
O responsável considera que esta abordagem pode beneficiar o comércio regional e internacional, tornando a cadeia logística mais eficiente, especialmente no escoamento de minerais. Em Moçambique, projectos como o desenvolvimento do Corredor de Nacala são vistos como essenciais para reforçar essa integração e modernizar a infra-estrutura portuária e ferroviária do País.
Para concretizar este modelo, Gavin Kelly defende “investimentos em terminais intermodais, a modernização dos portos marítimos e uma melhor coordenação operacional entre operadores ferroviários e rodoviários”. A organização apoia também a abertura da rede ferroviária da empresa pública sul-africana Transnet à participação do sector privado.
No entanto, o director executivo da RFA sublinha que essa participação deve ser acompanhada de uma análise rigorosa dos contratos e de garantias de equidade no acesso à infra-estrutura. Entre as preocupações destacadas estão o estado das linhas-férreas, a adequação das composições ferroviárias e a existência de mecanismos transparentes para resolução de disputas.
A associação propõe um modelo “hub-and-spoke”, no qual a ferrovia assume o papel central no transporte de grandes volumes de carga, como minérios e bens agrícolas, desde os centros de produção no interior até aos portos e zonas industriais, ficando o transporte rodoviário responsável pelas ligações de curta distância entre as áreas de produção e a rede ferroviária principal
Do lado rodoviário, a RFA alerta que a degradação das estradas na África do Sul, sobretudo nas províncias com intensa actividade mineira, como Mpumalanga e Limpopo, tem impacto directo nas exportações. “Os atrasos nas rotas e os custos operacionais acrescidos afectam a rentabilidade e a eficiência das empresas de transporte”, refere.
As dificuldades fronteiriças, incluindo a lentidão dos processos alfandegários e a infra-estrutura deficiente, são também apontadas como entraves, sobretudo nos postos fronteiriços utilizados por transportadores moçambicanos e sul-africanos. Apesar de avanços registados pelas autoridades aduaneiras sul-africanas, as fronteiras continuam a ser pontos críticos.
Gavin Kelly vê com bons olhos iniciativas como os Postos Fronteiriços de Paragem Única da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e defende padrões harmonizados para facilitar o transporte transfronteiriço.
Por fim, a associação destaca a importância crescente da tecnologia na gestão logística, com o uso de sistemas de rastreio em tempo real e plataformas digitais, mas alerta que muitos operadores enfrentam ainda dificuldades para adoptar estas soluções devido aos custos elevados e à escassez de competências técnicas.



























































