A operadora estatal de telecomunicações Tmcel registou, em 2024, prejuízos no valor de 4,4 mil milhões de meticais (66,2 milhões de dólares), o dobro face aos resultados negativos do ano anterior, segundo o relatório e contas da empresa, consultado esta sexta-feira, 18 de Julho, pela agência Lusa.
De acordo com o documento, em 2023, os prejuízos tinham sido de 2,1 mil milhões de meticais (31,6 milhões de dólares), representando então uma recuperação em relação a 2022, ano em que a Tmcel somou perdas de quase 4,3 mil milhões de meticais (64,7 milhões de dólares).
Apesar do resultado líquido negativo, a Tmcel aumentou o número de clientes móveis activos, passando de 717 052 em 2023 para 841 171 em 2024. No entanto, registou uma redução no número de linhas da rede fixa, que caíram de 27 562 para 25 363.
No mesmo período, foram modernizadas ou activadas 1248 antenas no âmbito da segunda fase do Projecto de Modernização e Expansão da Rede, iniciado em Janeiro de 2022.
A Tmcel é detida maioritariamente pelo Estado, com 66% do capital social, seguido pelo Instituto de Gestão de Participações do Estado (IGEPE), com 26%. Este interveio na gestão da empresa em Março de 2023, tendo lançado um Plano de Revitalização aprovado dois meses depois, com o objectivo de reverter o desempenho negativo.
A operadora encerrou o ano de 2024 com um capital próprio negativo de 14,5 mil milhões de meticais (cerca de 218,3 milhões de dólares), um activo total de 23,3 mil milhões de meticais (350,7 milhões de dólares) e um passivo de 37,9 mil milhões de meticais (570,7 milhões de dólares).
O relatório do auditor independente, a EY, alerta para a “existência de uma incerteza material que pode colocar em causa a capacidade da empresa em continuar o seu curso normal de negócios”, devido aos prejuízos acumulados de 28,6 mil milhões de meticais (430,5 milhões de dólares) e ao passivo corrente que excede o activo corrente em 19,7 mil milhões de meticais (296,5 milhões de dólares).

Constituída em Dezembro de 2018, a Tmcel resultou da fusão das extintas Telecomunicações de Moçambique (TDM) e Moçambique Celular (Mcel), com o objectivo de criar uma entidade única, competitiva e sustentável no sector das comunicações. Actualmente, 8% do capital social da empresa pertence a antigos trabalhadores das extintas TDM e Mcel.
O número de trabalhadores da empresa diminuiu de 2054, em 2018, para 1476 em 2022. Fechou o ano de 2023 com um total de 1370 trabalhadores e, em 2024, reduziu o efectivo para 1334.
Em Setembro de 2023, Mahomed Adamo Mussá, presidente da comissão de gestão, declarou que a empresa estava num “novo renascer”, no quadro da revitalização operacional avaliada em 132 milhões de dólares (8,7 mil milhões de meticais).
Segundo a administração, a implementação do plano estratégico de 18 meses — anunciado em Setembro de 2023 pelo presidente da Comissão de Gestão, e que visava a revitalização financeira e operacional da empresa —, já está a reflectir-se em melhorias em vários indicadores, impulsionadas pela introdução de novos produtos e pela expansão da rede financiada pelo Eximbank da China.
A Tmcel opera uma rede de suporte de 7600 quilómetros de fibra óptica e 8500 quilómetros de redes de acesso. Em 2023, a cobertura de banda larga aumentou de 10 para 400 giga bits por segundo, com expansão da rede móvel para 4. 5G, após quase uma década sem investimentos substanciais.























































