O fundo climático multilateral mais antigo do mundo — Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) — está a planear uma nova onda de títulos de conservação da vida selvagem, numa tentativa de ajudar os países africanos a salvar espécies e ecossistemas ameaçados de extinção.
As obrigações de vida selvagem, que fornecem financiamento de baixo custo em troca da redução da caça furtiva ou outras medidas, foram lançadas em 2022 com um projecto focado na protecção dos rinocerontes apoiado pelo Banco Mundial e, desde então, surgiram vários outros exemplos: no ano passado, houve uma emissão destinada à protecção dos chimpanzés no Ruanda, e, em Junho, o GEF aprovou uma iniciativa para a conservação dos lémures em Madagáscar.
O chefe de programação do GEF, Fred Boltz, que está ligado ao Banco Mundial, afirmou, à margem de uma reunião de ministros do Ambiente africanos, que o objectivo é fazer títulos de conservação para cada um dos 54 países de África. O responsável sublinhou que tal medida exigiria um investimento de 150 milhões de dólares do GEF, que seria então alavancado dez vezes para fornecer um total de 1,5 mil milhões de dólares para esforços de conservação por meio de outros empréstimos.
O dinheiro emprestado através de títulos de dívida relacionados com a vida selvagem não constam, normalmente, nos registos contáveis dos Governos beneficiários, o que significa que o GEF pode oferecer financiamento muito necessário aos países mais pobres, de acordo com especialistas em clima.
O financiamento tem como alvo, geralmente, espécies emblemáticas, no sentido de atrair investidores especializados e filantropos ricos, e os seus pagamentos estão directamente relacionados com a conservação — quanto melhor o resultado, menos os Governos precisam de pagar.
“Mas o GEF espera agora que o financiamento possa ser alargado para incluir ecossistemas inteiros, como zonas húmidas”, afirmou Fred Boltz.
A iniciativa do fundo surge num momento em que os cortes na ajuda e no financiamento ao desenvolvimento por parte dos Estados Unidos da América (EUA) e de outras grandes economias ameaçam alguns projectos de conservação.
“Há muitos países a perguntar e a sugerir que, neste ambiente difícil de ajuda oficial ao desenvolvimento, pode ser difícil manter o último nível de reposição”, sublinhou Boltz. “Talvez precisemos de tentar fazer mais com menos”, anuiu.
O GEF investiu um total de 7,7 mil milhões de dólares em África em vários projectos, como um esforço de 85 milhões de dólares para combater a desertificação na região do Sahel. Actualmente, está a apelar aos doadores para reabastecerem o seu fundo para o próximo ciclo de programas de quatro anos, com início em 2026.
A sua última angariação de fundos para o ciclo actual arrecadou 5,3 mil milhões de dólares, um acréscimo de mais de 30% em relação ao seu último período operacional, num contexto de aumento do apoio aos esforços internacionais para cumprir as metas ambientais e climáticas.
Essa ronda de financiamento obteve dinheiro de 29 países, com os EUA entre os maiores doadores, contribuindo com 700 milhões de dólares.
Fonte: Reuters


























































