Uma equipa internacional de investigadores do Instituto de IA centrada no ser humano do Centro Helmholtz de Munique, na Alemanha, desenvolveu um novo modelo de Inteligência Artificial (IA) que imita o funcionamento da mente humana com uma precisão sem precedentes. Denominado Centaur, o sistema foi treinado com base em mais de 10 milhões de decisões humanas e representa um avanço promissor nos domínios da psicologia e da neurociência.
Ao contrário das abordagens tradicionais, que tendem a concentrar-se em comportamentos isolados, o Centaur é capaz de generalizar os seus resultados a novas situações, prevendo tanto as escolhas como os tempos de reacção dos indivíduos em diferentes contextos.
De acordo com o site Techno Science, o modelo baseia-se numa base de dados denominada Psych-101. Estes testes abrangem uma variedade de domínios, como a assunção de riscos ou o raciocínio moral.
Os investigadores adaptaram um modelo linguístico existente (Llama 3.1), modificando apenas 0,15% dos seus parâmetros. Esta eficácia permite ao Centaur funcionar como um “laboratório virtual”. Segundo os seus criadores, poderia ajudar a estudar as perturbações mentais, simulando os mecanismos de decisão específicos de cada patologia.
Um dos seus pontos fortes reside na sua capacidade de adaptação a novos cenários. Por exemplo, transpõe estratégias aprendidas num jogo de tesouro espacial para uma missão num tapete voador. Esta flexibilidade ultrapassa os modelos especializados desenvolvidos há décadas.
O Centaur poderá transformar a investigação clínica ou a economia comportamental. Ao reproduzir padrões de pensamento, poderia testar terapias ou políticas públicas. No entanto, os seus dados provêm principalmente de populações ocidentais instruídas, o que limita o seu alcance.
A equipa insiste na necessidade de transparência. O modelo é de código aberto, para evitar preconceitos e garantir uma utilização ética. A próxima etapa é compreender como os seus cálculos internos reflectem a actividade cerebral e melhorar a sua análise das diferenças individuais.
Para os cientistas, o Centaur é apenas um começo. Se for enriquecido com dados mais diversificados, poderá tornar-se numa “teoria unificada” da cognição. Mas o seu desenvolvimento terá de conciliar a inovação e a vigilância ética.























































