O Governo apresentou uma proposta de lei que visa “obrigar” os grandes empreendimentos dos sectores de petróleo e gás a privilegiar a contratação de bens, serviços e mão-de-obra locais. O documento, ainda em fase preparatória para submissão ao Parlamento, visa institucionalizar o chamado “conteúdo local”, promovendo a industrialização nacional e a capacitação empresarial.
Na fundamentação da proposta, o Executivo afirma: “Considerando o papel do Estado na promoção do desenvolvimento económico e social do País”, justificando a introdução de normas para aquisição de bens e serviços, contratação de trabalhadores moçambicanos e sua formação no contexto da implementação de megaprojectos em território nacional.
O diploma propõe que a contratação local se torne prioritária, inclusive em termos de adjudicação, sempre que as propostas apresentadas pelas empresas nacionais sejam até 20% mais caras que as concorrentes internacionais, desde que respeitem os critérios de qualidade e capacidade de resposta.
A proposta determina ainda que, no processo de avaliação das propostas para fornecimento de bens e serviços, a prioridade recaia sobre as Pequenas e Médias Empresas (PME) moçambicanas, cujas capacidades serão analisadas antes da consideração dos restantes critérios técnicos e financeiros.
Para garantir a implementação da futura legislação, o Governo prevê a criação de uma Agência de Conteúdo Local, entidade pública com autonomia administrativa, financeira e patrimonial, sob tutela do Ministério responsável pelo sector de petróleo. Esta agência será responsável pela regulação, fiscalização e promoção do conteúdo local, nomeadamente através da certificação dos bens e serviços nacionais e da acreditação das entidades certificadoras.
Entre outras atribuições, a futura agência deverá também mapear necessidades de contratação no sector, divulgar oportunidades de fornecimento e propor políticas e normas específicas para o desenvolvimento do conteúdo local. Estará igualmente incumbida de assegurar a fiscalização do cumprimento das obrigações legais por parte dos operadores e de validar os planos e relatórios periódicos sobre conteúdo local.
Moçambique conta actualmente com três megaprojectos em curso para exploração do gás natural na bacia do Rovuma, ao largo de Cabo Delgado, considerados entre os maiores do mundo. A estes somam-se os projectos de extracção de carvão na província de Tete e de gás natural em Inhambane.
Em Abril passado, o sector privado já havia manifestado interesse em obter maior clareza sobre oportunidades concretas para as PME na nova plataforma de gás natural que será desenvolvida pela petrolífera italiana Eni, sinalizando a expectativa por maior integração das empresas nacionais nos grandes empreendimentos.
Fonte: Lusa


























































