Os preços no País voltaram a cair no mês de Junho, registando a terceira deflação consecutiva e a sétima nos últimos 14 meses, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) a que a Lusa teve acesso esta quinta-feira, 10 de Julho.
De acordo com o Índice de Preços no Consumidor (IPC), o País registou uma queda mensal de 0,07% em Junho, face a Maio, influenciada sobretudo pela redução de preços no sector da alimentação e bebidas não alcoólicas, que contribuiu com 0,12 pontos percentuais negativos para a variação global.
Entre os produtos que mais influenciaram esta queda destacam-se o tomate (-7,0%), couve (-9,3%), feijão manteiga (-3,3%), gasóleo (-3,1%), gasolina (-1,0%), alface (-9,2%) e coco (-6,6%), que no total retiraram 0,32 pontos percentuais ao índice.
Trata-se de um padrão repetido em vários meses, com registos de deflação também verificados em Maio (0,38%), Abril (0,38%), Junho de 2024 (0,21%), Julho (0,05%) e Agosto (0,11%).
Apesar da queda mensal, a inflação homóloga (comparando com Junho de 2024) situou-se em 4,15%, acima dos 4,0% em Maio e dos 3,99% em Abril, influenciada principalmente pelas divisões de alimentação e bebidas não alcoólicas, que aumentaram 9,38% num ano, e de restaurantes, hotéis, cafés e similares, com uma subida de 8,53%.
A inflação acumulada no primeiro semestre de 2025 mantém-se nos 4,15%, abaixo dos 5,3% de 2023 e bastante distante do pico de quase 13% registado em Julho de 2022.
O País registou uma queda mensal de 0,07% em Junho, face a Maio, influenciada sobretudo pela redução de preços no sector da alimentação e bebidas não alcoólicas, que contribuiu com 0,12 pontos percentuais negativos para a variação global
Perspectivas positivas, mas com riscos
O Governo prevê que o ano de 2025 encerre com uma inflação em torno dos 7%. Já o Banco de Moçambique estima que a inflação anual continuará a desacelerar nos próximos meses, reflectindo medidas recentemente adoptadas, como a isenção do IVA sobre produtos básicos (açúcar, óleo alimentar e sabão), reduções nas tarifas de portagens até 60% e ajustes em baixa nos preços da água.
O relatório de Conjuntura Económica e Perspectivas de Inflação, divulgado em Maio, prevê a continuação da tendência de desaceleração, num contexto de estabilidade cambial do metical e queda dos preços internacionais de alimentos.
As expectativas dos agentes económicos, recolhidas num inquérito em Maio, apontam para uma inflação anual de 4,90% em Dezembro de 2025, revendo em baixa a previsão anterior de Abril.
Contudo, o Banco Central alerta para riscos e incertezas significativos, sobretudo de natureza interna, relacionados com o agravamento da situação fiscal, incertezas na recuperação da capacidade produtiva e de oferta e impactos de choques climáticos, que poderão ameaçar a manutenção deste cenário optimista.




























































