O Niassa Lion Project (NLP) retomou no passado domingo, 15 de Junho, as actividades de conservação na Reserva Especial do Niassa (REN), após ter sido forçado a suspender as suas operações devido a um ataque terrorista ocorrido em Abril, que resultou na morte de quatro colaboradores e na destruição de infra-estruturas do bloco de caça Kambako.
Segundo informações partilhadas pelo NLP na sua página oficial, os trabalhos de campo recomeçaram com sete viaturas, priorizando a restauração do Centro Ambiental de Mariri. A organização admite que a recuperação total das instalações exigirá tempo, mas realça que a presença de vida selvagem é um sinal “encorajador” para persistir na missão.
“Estamos de volta ao ponto de partida e, quando entrámos com sete viaturas, vimos elandes, impalas, elefantes, búfalos, leões e hienas. A fauna recuperou substancialmente desde a nossa última presença, em parceria com Mbamba e a Reserva Especial do Niassa”, lê-se no comunicado.
De recordar que o ataque de Abril, atribuído ao mesmo grupo de extremistas islâmicos, que actua em vários distritos de Cabo Delgado, afectou a zona do bloco de caça Kambako, um dos maiores operadores do País. Durante a incursão, os atacantes chegaram a fazer reféns, num número não especificado.
A Reserva Especial do Niassa, que se estende pelas províncias de Niassa e Cabo Delgado, integra seis blocos de caça geridos por concessionárias privadas, sendo o Kambako um dos mais extensos. A área continua vulnerável a actividades ilegais como caça furtiva, agora agravadas pela violência armada.

Apesar das perdas humanas e materiais, o Niassa Lion Project garante que prosseguirá o trabalho de monitorização e protecção da fauna, reafirmando o compromisso com a conservação de uma das mais importantes zonas de biodiversidade de Moçambique.
O NLP é financiado por uma rede de parceiros internacionais, fundações, zoológicos e dadores individuais, com investimentos que, só da Gemfields Foundation, somam pelo menos 150 mil dólares (9,6 milhões de meticais) em três anos, além de uma doação extra de 75 mil dólares (4,8 milhões de meticais) para reforço de conservação e apoio comunitário.
O Lion Recovery Fund contribuiu com, pelo menos, 55 mil dólares (3,5 milhões de meticais) para operações de fiscalização na reserva. O projecto mobiliza ainda doações individuais, onde montantes de 60 dólares (3800 meticais) financiam visitas de crianças ao Centro Ambiental de Mariri, 2400 dólares (153 mil meticais) cobrem o salário anual de um fiscal e 4000 dólares (256 mil meticais) permitem adquirir colares de monitorização de leões.
Todos estes fundos garantem o trabalho de monitorização de carnívoros, combate à caça furtiva, educação ambiental e geração de rendimentos sustentáveis para as comunidades que vivem dentro e junto da Reserva Especial do Niassa.
Fonte: Agência de Informação de Moçambique



























































