Moçambique juntou-se a outros 19 países africanos num compromisso de eliminar a cólera até 2030. A decisão foi tomada durante uma reunião virtual organizada pela União Africana (UA), em resposta a um apelo do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (África CDC).
De acordo com a Lusa, a reunião, realizada na quarta-feira (4), foi liderada por Hakainde Hichilema, Presidente da Zâmbia e responsável pela pasta da luta contra a cólera na UA.
A reunião contou com a participação de dez chefes de Estado e vice-presidentes, representando Moçambique, Angola, Zâmbia, República Democrática do Congo (RDC), Namíbia, Gana, Maláui, Sudão do Sul, Tanzânia e Zimbabué.
O encontro contou ainda com representantes de vários Ministérios – Saúde, Finanças, Água e Saneamento – e com o apoio de parceiros globais como a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a Aliança Mundial de Vacinas e Imunização (Gavi), o Fundo Global, entre outros, com o objectivo de formar uma frente unida no combate à cólera”, declarou a UA, em comunicado.
Segundo dados apresentados pela UA, até Maio de 2025, África registou cerca de 130 mil casos de cólera e 2700 mortes, o que representa 60% dos casos e mais de 93% das mortes por cólera a nível mundial.
Embora Angola, a RDC, o Sudão e o Sudão do Sul estejam entre os países mais afectados, Moçambique continua em alerta e reforçou os seus mecanismos de prevenção e vigilância sanitária.
O director-geral do CDC África, Jean Kaseya, salientou que o continente precisa de 54 milhões de doses de vacina oral contra a cólera por ano, mas, actualmente recebe pouco mais de metade. “Esta lacuna é inaceitável”, alertou, defendendo um aumento da produção local.
Por sua vez, o presidente em exercício da UA, João Lourenço, defendeu investimentos robustos em água, saneamento e saúde, afirmando: “Este é o nosso momento para transformar desafios históricos em oportunidades reais de desenvolvimento económico e social.”

Na sua intervenção de abertura, Mahmoud Ali Youssouf, presidente da comissão da UA, apelou a uma liderança corajosa e a uma mudança sistémica. “Só com o envolvimento directo dos nossos chefes de Estado conseguiremos eliminar a cólera até 2030”, frisou.
Já o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, sublinhou que a organização vai intensificar o apoio aos países afectados.
Na ocasião, os líderes africanos comprometeram-se a operacionalizar a Equipa de Apoio à Gestão de Incidentes Continental (IMST), baseada na resposta bem-sucedida ao Monkeypox (mpox), “para reforçar a vigilância transfronteiriça”, segundo o comunicado.
A nível nacional, comprometeram-se a criar Grupos Presidenciais de Trabalho sobre a Cólera, para reforçar a coordenação intersectorial, mobilizar recursos internos e aplicar mecanismos de responsabilização.
“A reunião representou um ponto de viragem na resposta africana à cólera, assente na apropriação política ao mais alto nível, colaboração multissectorial e solidariedade continental”, lê-se no documento da UA.






















































