O Governo voltou a inscrever o sistema de transporte público rápido por autocarros (BRT, na sigla inglesa) na sua agenda de mobilidade urbana, com enfoque na Área Metropolitana do Grande Maputo. A informação foi avançada esta quarta-feira (28) pelo ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, durante uma sessão de perguntas na Assembleia da República.
Segundo o governante, o BRT será implementado no quadro do Projecto MOVE Maputo, visando responder à crescente procura de transportes públicos e melhorar a circulação entre os principais eixos urbanos da capital e municípios vizinhos. O projecto prevê beneficiar mais de 140 mil passageiros por dia, representando uma cobertura superior a 30% da procura actual de transporte urbano.
O novo traçado do BRT contempla um percurso que parte da Praça dos Trabalhadores, passando pelas avenidas Guerra Popular, Acordos de Lusaka, FPLM, Julius Nyerere e Lurdes Mutola, até ao Terminal do Zimpeto, integrando ligações com zonas de alta densidade populacional como Matola-Gare, Marracuene e Zona Verde.
Embora as obras nas avenidas principais ainda não sejam visíveis, o ministro assegurou que intervenções nas estradas alimentadoras estão em curso, com níveis de execução entre 40% e 80%. Destacam-se os troços Intaka-Boquisso, Mulumbela-Khongolote e Matchemele-Matibjana, no município da Matola, bem como as reabilitações das avenidas da ONU, Fernão Magalhães, 25 de Setembro, Tanzânia e Zâmbia, na cidade de Maputo.

O sistema BRT, que se assemelha ao modelo de metro à superfície, integra faixas exclusivas para autocarros, estações melhoradas, sistemas de bilhética electrónica e prioridade nos cruzamentos semafóricos, factores que aumentam a rapidez, regularidade e eficiência do serviço.
O projecto já conheceu várias tentativas de implementação, nomeadamente em 2014, 2016, 2021 e 2023, mas os avanços foram travados por constrangimentos diversos, incluindo a suspensão de financiamento externo.
Em 2014, a proposta inicial previa um custo de cerca de 7,2 mil milhões de meticais (100 milhões de dólares), a ser financiado pelo Brasil, mas acabou cancelada na sequência da operação Lava Jacto. Tentativas posteriores envolveram o apoio do Banco Mundial, com orçamentos ajustados que chegaram aos 18,1 mil milhões de meticais (250 milhões de dólares).
O Executivo pretende, agora, viabilizar o BRT com “uma abordagem faseada e integrada, articulando o transporte rápido com intervenções urbanas que incluem passeios, ciclovias, sistemas de drenagem e iluminação pública nas zonas abrangidas.”
Fonte: Carta de Moçambique

























































