Cerca de duas centenas de mulheres provenientes de diversos sectores da sociedade civil, incluindo o movimento associativo agrícola rural, sector informal, instituições de crédito e entidades governamentais, reuniram-se esta quarta-feira, 28 de Maio, na cidade de Nampula, para debater os principais desafios e alternativas em prol da sustentabilidade económica e financeira das mulheres moçambicanas.
Segundo a Agência de Informação de Moçambique, a iniciativa, realizada em parceria entre o Governo provincial de Nampula e a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), visou criar um espaço de diálogo e reflexão sobre os obstáculos que afectam o quotidiano das mulheres, especialmente no norte do País, com destaque para o desemprego, dificuldades de formalização de negócios, limitado acesso ao crédito e a frágil sustentabilidade dos empreendimentos femininos.
A situação tem-se agravado nos últimos meses devido à ocorrência de fenómenos climáticos extremos e ao impacto das tensões pós-eleitorais registadas no final de 2024, que afectaram profundamente as condições de vida e as actividades económicas em diversas comunidades.
Presente na conferência, a antiga ministra da Saúde e esposa do actual governador da província, Nazira Abdula, salientou que, apesar de progressos visíveis, a mulher continua a enfrentar inúmeras barreiras no acesso igualitário ao mercado de trabalho, ao crédito e à formação, bem como à sua representação nos processos de tomada de decisão.
“Chegou o momento da acção. Promover a igualdade não é apenas uma questão de justiça social, mas uma estratégia inteligente para o progresso regulativo”, afirmou Abdula, acrescentando que a emancipação da mulher transforma não só a sua própria realidade, mas também potencia o desenvolvimento das comunidades e do País.
Abdula encorajou ainda a construção de redes de solidariedade e cooperação entre mulheres, sublinhando a importância de espaços como este para o reforço da acção colectiva e da capacitação feminina.
FDC destaca papel transformador da mulher na economia
O director de programas da FDC, Adelino Chirindza, reforçou o compromisso da instituição com a promoção da equidade de género, sublinhando o papel central da mulher na economia familiar e comunitária.
“Estas conferências são essenciais para gerar consensos e remover barreiras como a masculinidade nociva e a subjugação feminina. A mulher tem uma capacidade multiplicadora única. Quando colocamos recursos nas mãos de uma mulher, os efeitos são visíveis: a família prospera, a saúde melhora e o desenvolvimento torna-se sustentável”, destacou Chirindza.
O responsável da FDC anunciou ainda que está em preparação uma Conferência Nacional da Mulher, iniciativa que terá o apoio da fundação, com o objectivo de reforçar o debate em torno da participação feminina na economia e da sua autonomia plena.
De acordo com dados apresentados, a mulher constitui a maioria nos mercados informais, nas associações agrícolas e nos sistemas rotativos de poupança e crédito, conhecidos localmente como “xitique”. “Estas mulheres movimentam grandes somas de dinheiro e são o verdadeiro motor da economia informal”, acrescentou Chirindza.


























































