As Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) contrataram a Knighthood Global, uma consultora internacional de aviação com sede em Abu Dhabi, para liderar a nova fase da sua reestruturação financeira e operacional. A empresa, liderada por James Hogan, antigo presidente da Etihad Airways, terá um prazo de três meses para estabilizar e reposicionar a companhia aérea moçambicana, segundo uma nota da própria consultora.
A Knighthood Global foi nomeada pelo Governo de Moçambique com o objectivo de revitalizar não apenas a LAM, mas também contribuir para o reposicionamento estratégico do sector da aviação no País.
“O foco nos primeiros três meses será estabilizar e reposicionar a LAM”, refere a nota da empresa, sublinhando que trabalhará em articulação com os novos accionistas — Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e Empresa Moçambicana de Seguros (Emose) — entidades com mandato para adquirir novas aeronaves e reconstituir a frota.
A consultora terá como missão a reestruturação da base financeira da LAM, redução do nível de endividamento, fortalecimento do perfil de investimento, modernização da frota, implementação de sistemas de tecnologia de informação e revisão do modelo de gestão de recursos humanos, de forma a assegurar maior eficiência e melhoria da qualidade dos serviços.
Segundo a companhia aérea, a intervenção responde a desafios estruturais antigos, como a obsolescência de parte da frota, dificuldades financeiras recorrentes e o aumento da concorrência no sector da aviação. A Knighthood será ainda responsável por alinhar a empresa com os padrões internacionais do sector e promover um modelo de gestão transparente e orientado por resultados.
A LAM sublinha que o envolvimento activo dos trabalhadores e de outros actores relevantes será decisivo para o sucesso do processo: “O envolvimento e a colaboração de todos os trabalhadores da LAM e de todos os actores sociais relevantes será determinante para que a reestruturação produza os resultados almejados.”

A contratação da Knighthood Global ocorre no seguimento de mudanças profundas na estrutura da LAM, iniciadas no início de Maio, com o afastamento da anterior administração. O Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE) anunciou a cessação de funções do então presidente Marcelino Gildo Alberto e dos administradores Altino Xavier Mavile e Bruno Miranda.
Foi igualmente criada uma comissão de gestão executiva, liderada por Dane Kondic, gestor com passagens pela Air Serbia e pela portuguesa euroAtlantic Airways, que terá a missão de assegurar a continuidade das operações e conduzir o plano de transformação da companhia.
Como parte do plano de recuperação, o Governo anunciou também uma auditoria forense às contas da LAM dos últimos dez anos, com vista a apurar responsabilidades e clarificar a situação financeira da empresa, que actualmente conta com cerca de 800 trabalhadores.
A gravidade dos problemas internos foi reconhecida publicamente pelo Presidente da República, Daniel Chapo, que, em 28 de Abril, afirmou que a reestruturação da companhia foi travada por interesses instalados e práticas de má gestão.
“Descobrimos que dentro da LAM fomos entregar raposas para cuidar de um galinheiro, ou gatos para cuidarem de ratos”, afirmou o chefe do Estado, denunciando “conflitos de interesse” e actos de corrupção que, segundo disse, impediram o cumprimento de metas definidas para os primeiros 100 dias do seu mandato.
Entre essas metas estava a aquisição de três aeronaves para reforçar a frota da transportadora de bandeira — objectivo que continua por concretizar, mas que deverá agora ser retomado no quadro da assessoria estratégica da Knighthood Global.
A expectativa do Governo é que a consultora consiga não apenas estabilizar a empresa, mas também reposicionar a LAM como um operador aéreo competitivo, com impacto positivo para o turismo, a mobilidade e sectores estratégicos como os recursos minerais, a energia e a agricultura.

























































