O chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas de Moçambique (FADM), Júlio dos Santos Jane, reuniu-se com o comandante das Forças de Segurança do Ruanda, Emmy Ruvusha, para debater as novas estratégias para travar o terrorismo que assola a região Norte do País.
O encontro teve lugar no distrito de Mueda, na província de Cabo Delgado, onde as tropas ruandesas auxiliam as forças moçambicanas no combate ao terrorismo. Segundo uma publicação do The New Times, o general moçambicano elogiou os soldados daquele país pelo “excelente trabalho que tem feito para a restauração da paz e da estabilidade naquela área”.
“Operações conjuntas das Forças de Segurança de Ruanda e do exército moçambicano restauraram a paz na maior parte da província atingida pelo terrorismo. Os dois exércitos expandiram as suas operações para a província de Nampula”, avançou um comunicado citado pelo jornal ruandês.
O documento recordou que o Ruanda enviou soldados e polícia para Moçambique em Julho de 2021, a pedido do Governo moçambicano, para restaurar a segurança e a autoridade estatal em Cabo Delgado, uma região na costa do oceano Índico devastada por uma insurgência ligada ao Estado Islâmico desde 2017.
“A medida de assistência existente ao abrigo do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz visa continuar a apoiar o destacamento da Força de Defesa do Ruanda na província moçambicana de Cabo Delgado”, indicou na altura um comunicado conjunto dos Estados-membros da UE.
O Mecanismo Europeu de Apoio à Paz foi criado em Março de 2021 para financiar acções externas da UE com implicações militares ou de defesa, visando prevenir conflitos, preservar a paz e reforçar a segurança e a estabilidade internacionais.

Só em 2024, pelo menos 349 pessoas morreram em ataques perpetrados por grupos extremistas islâmicos na província, representando um aumento de 36% face ao ano anterior, segundo dados divulgados recentemente pelo Centro de Estudos Estratégicos de África (ACSS), uma instituição académica do Departamento de Defesa do Governo norte-americano especializada na análise de conflitos em África.
O mais recente grande ataque ocorreu nos dias 10 e 11 de Maio de 2024, quando cerca de uma centena de insurgentes invadiu e saqueou a sede distrital de Macomia, resultando em várias mortes e intensos combates com as Forças de Defesa e Segurança de Moçambique, apoiadas por tropas do Ruanda, que prestam assistência ao País no combate aos rebeldes.
No entanto, nos últimos dias o terrorismo expandiu para outra região, ou seja, no dia 29 de Abril, o acampamento de caça desportiva de Mariri, numa das coutadas da Reserva Especial do Niassa, área com 42 mil quilómetros de terra em oito distritos que abrange também Cabo Delgado, foi invadido por homens armados, cenário que causou dois mortos e dois desaparecidos.
Trata-se do segundo caso de alegadas movimentações terroristas naquela área, tendo o primeiro sido registado em 24 de Abril. Relatos locais indicam que o grupo, ainda em número indeterminado, entrou numa aldeia da reserva, gerando pânico entre os residentes.
A Polícia da República de Moçambique afirmou que estava a investigar o caso. Já o ministro da Defesa, Cristovão Chume, reconheceu a existência de grupos terroristas na reserva.




























































