A consultora sul-africana Fly Modern Ark (FMA), contratada pelo Governo moçambicano para ajudar no processo de recuperação da empresa Linhas Aréas de Moçambique (LAM), deu início a um processo judicial contra a transportadora nacional alegando falta de pagamento de taxas referentes a um contrato de reestruturação.
Segundo a publicação do Travel News Africa, a batalha judicial adiciona mais complexidade às constantes dificuldades da LAM em relação à eficiência operacional e à estabilidade financeira, impactando negativamente nas actividades das agências de viagens em toda a África Austral.
O site esclarece que a acção se refere a um projecto de reestruturação que a FMA realizou para a companhia moçambicana entre 2023-2024. “Esta é uma situação desafiadora face à situação da LAM, onde já surgem perguntas sobre a transparência e capacidade de responsabilização.”
“A base operacional da LAM foi severamente prejudicada por uma frota drasticamente reduzida. Actualmente, a operar com apenas quatro aeronaves, a companhia aérea luta para manter a regularidade dos voos e atender à demanda de passageiros. A redução tem implicações significativas para a conectividade aérea regional, e está a interromper os planos de viagem em toda a África Austral”, detalhou.
“Os agentes de viagens que trabalham na região enfrentam o desafio de encontrar rotas e empresas aéreas alternativas para os seus clientes, o que aumenta a complexidade das suas operações. A instabilidade financeira levanta preocupações quanto à viabilidade da LAM a longo prazo e à sua capacidade de investir em actualizações essenciais e expansão da frota”, frisou.

Auditoria forense às contas da LAM
Recentemente, o Executivo de Daniel Chapo comunicou que vai avançar com uma auditoria forense às contas da empresa referentes aos últimos dez anos, um processo que será concluído em menos de seis meses. Na consequência, uma fonte governamental admitiu ainda que será necessário, igualmente, “reduzir o número de trabalhadores” da companhia, dos actuais cerca de 800, devido à frota reduzida.
Em reacção, a Fly Modern Ark (FMA), que liderou a primeira tentativa de reestruturação da transportadora estatal, manifestou abertura para cooperar na auditoria forense às contas da empresa aérea, tendo elucidado que o problema da LAM está ligado a supostas “redes internas responsáveis pelo roubo e pela má gestão”, acusando a transportadora nacional de violar o acordo entre as partes ao pagar só a metade da factura final.
Perante este cenário, o Travel News Africa escreveu que a combinação da disputa judicial, da auditoria governamental e dos problemas operacionais e financeiros da LAM cria um cenário complexo e desafiador para o sector de viagens na África Austral.
“Profissionais de viagens que dependem da LAM para conexões regionais enfrentam um clima de incerteza. O resultado do processo judicial e da auditoria governamental será crucial para determinar a trajectória futura da companhia moçambicana. O envolvimento da FMA nos esforços de reestruturação da LAM, apesar da actual disputa judicial, destaca as complexidades de navegar no mercado de aviação africano”, concluiu.

Justiça moçambicana investiga contratação da Fly Modern Ark
Em Abril de 2023, quando a Fly Modern Ark assumiu a gestão da companhia (cujo contrato findou em Setembro de 2024), reconheceu que a mesma tinha uma dívida estimada de 300 milhões de dólares e, ao longo dos trabalhos realizados, a entidade sul-africana denunciou esquemas de desvio de dinheiro na LAM, com prejuízos de mais de 3 milhões de dólares, em lojas de venda de bilhetes, através de máquinas dos terminais de pagamento automático (TPA/POS) que não eram da companhia.
Há vários anos que a LAM enfrenta problemas operacionais relacionados com uma frota reduzida e falta de investimentos, com registo de alguns incidentes, não fatais, associados por especialistas à deficiente manutenção das aeronaves.
Dados apontam que, só em 2021, a LAM registou um prejuízo de mais de 1,4 mil milhões de meticais (21,7 milhões de dólares), em 2022 com 448,6 milhões de meticais (6,9 milhões de dólares), em 2023 com 3,9 mil milhões de meticais (60,5 milhões de dólares) e em 2024 com registo de 2,2 mil milhões de meticais (34,1 milhões de dólares).
“A capacidade operacional da LAM foi severamente prejudicada por uma frota drasticamente reduzida. Actualmente a operar com apenas quatro aeronaves, a companhia aérea luta para manter a regularidade dos voos e atender à demanda de passageiros. A redução tem implicações significativas para a conectividade aérea regional, e está a interromper os planos de viagem em toda a África Austral”
O Governo rejeitou que os actuais prejuízos da LAM sejam uma consequência da gestão da FMA. “As perdas registadas são o reflexo de muitos anos de dificuldades acumuladas, não se podendo, de forma isolada, imputar os resultados negativos apenas à gestão da Fly Modern Ark”, avançou o ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe.
O Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou que há “raposas e corruptos” dentro da empresa Linhas Aéreas de Moçambique, que possuem “conflitos de interesse” e que impediram a reestruturação da companhia de acordo com o previsto no plano dos primeiros 100 dias de governação.
O valor estimado a ser arrecadado com a venda das acções do Estado, cerca de 130 milhões de dólares (8,3 mil milhões de meticais), será destinado à aquisição de oito novas aeronaves e à reestruturação da empresa.




























































