A previsão de retorno ainda este ano do megaprojeto de gás natural liquefeito (GNL) operado pela francesa TotalEnergies, na área 1, na bacia do Rovuma, província de Cabo Delgado, no Norte de Moçambique, está a elevar o optimismo nas projecções do Porto de Mocímboa da Praia, “infra-estrutura estratégica” reabilitada em 2023.
“Os megaprojectos são os nossos pilares. O manuseamento de carga efectuada no momento está muito longe da capacidade instalada, por isso, há muita expectativa em relação ao retorno das actividades por parte da TotalEnergies, o que vai impulsionar em pleno a economia regional”, afirmou Helénio Turzão, administrador do Porto de Mocímboa da Praia, em entrevista à Lusa.
Apesar do optimismo, o responsável esclareceu que é preciso ter alguma cautela, já que a carga ligada aos projectos de gás é de curto prazo. “O que garante a sustentabilidade de qualquer porto é a carga de longo prazo e essa vai ser sempre resultante da iniciativa local. Neste sentido, há que apostar na cabotagem”.
De acordo com Turzão, em 2024, o Porto de Mocímboa da Praia manuseou 15 mil toneladas de carga diversa e 10 milhões de litros de combustível, enquanto no primeiro trimestre de 2025 foram movimentadas cerca de quatro mil toneladas de produtos e cinco milhões de litros de combustível.
“Sob o ponto de vista de segurança, desde a sua retoma, não tivemos nenhum incidente. Tem havido notícias e relatos de incidentes em regiões próximas, mas não no círculo de influência de Mocímboa da Praia”, tranquilizou.
Na noite de 12 de Agosto 2020, os grupos armados que têm protagonizado ataques em Cabo Delgado desde 2017 invadiram o Porto de Mocímboa da Praia e os confrontos com as Forças de Defesa e Segurança deixaram um número até hoje desconhecido de mortos, incluindo elementos da força marítima, além de várias infra-estruturas destruídas.

Quando em 2021 as forças governamentais recuperam Mocímboa da Praia, o porto estava totalmente devastado, bem como a carga de vários clientes que estava no local. A infra-estrutura, de localização estratégica para a província, teve de ser reabilitada, num processo que incluiu a construção de um novo cais e a reabilitação do parque de contentores, tendo sido, no total, investidos mais de 13,5 milhões de dólares.
Mocímboa da Praia foi saqueada e quase todas as infra-estruturas públicas e privadas foram destruídas, bem como os sistemas de energia, água, comunicações e hospitais. No total, cerca de 62 mil pessoas, quase a totalidade da população, abandonaram a vila costeira devido ao conflito que começou há cinco anos e meio, com destaque para as fugas em massa que ocorreram após a intensificação das acções rebeldes em Junho de 2020.
A recuperação de Mocímboa da Praia foi resultado de operações conjuntas das forças moçambicanas, do Ruanda e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), esta a última que já deixou o País.
Aquele distrito está situado a 70 quilómetros a sul da área de construção do projecto de exploração de gás natural, liderado pela TotalEnergies. A vila costeira foi aquela em que grupos armados protagonizaram o seu primeiro ataque em Outubro de 2017, tendo sido, por muito tempo, descrita como a “base” dos rebeldes.
TotalEnergies retoma em meados de 2025
Com um investimento global estimado em 20 mil milhões de dólares (1,2 bilião de meticais), o projecto foi interrompido na sequência de uma vaga de ataques insurgentes nas imediações da vila de Palma, o que levou à declaração de força maior. Actualmente, segundo o responsável da empresa, o local das operações encontra-se “completamente seguro”, aguardando-se apenas a finalização dos trâmites financeiros para a reactivação plena do empreendimento.

“Esperamos reiniciar as actividades até meados de 2025”, afirmou Pouyanné, sublinhando que o levantamento oficial da força maior está condicionado à aprovação dos financiamentos e garantias institucionais pendentes. Entre estes, destaca-se o envolvimento do Governo dos Estados Unidos, cuja decisão de revalidação de apoios deverá ser oficializada nas próximas semanas.
O Mozambique LNG, considerado um dos maiores projectos de gás natural liquefeito em África, deverá atingir uma capacidade de produção anual de 12,8 milhões de toneladas na sua fase inicial. A sua concretização é vista como um marco estratégico para a economia moçambicana, com potencial para gerar receitas avultadas e posicionar o País como um actor relevante no panorama energético internacional.
Em Março de 2025, o banco norte-americano US ExIm Bank revalidou um empréstimo de 4,7 mil milhões de dólares ( 296 mil milhões de meticais), passo considerado determinante para a viabilização da retoma. Está igualmente em análise um novo financiamento de cerca de 7 mil milhões de dólares (441 mil milhões de meticais), a ser garantido por entidades financeiras dos Estados Unidos.


























































