A Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) declarou oficialmente o seu apoio à candidatura do Parque Nacional de Maputo, em Moçambique, à lista do património mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), informou a Lusa, nesta quinta-feira, 8 de Maio.
A decisão foi tomada durante uma reunião dos ministros da Cultura da CPLP, realizada em São Tomé e Príncipe, que reconheceu a importância ecológica, histórica e simbólica da área protegida localizada a 90 minutos da capital moçambicana. A candidatura havia sido submetida anteriormente pelo Governo de Moçambique à UNESCO, com projecção para o ciclo de avaliação 2025-26.
O Parque Nacional de Maputo é vizinho do iSimangaliso Wetland Park, na África do Sul, que já detém o estatuto de património mundial desde 1999. A proximidade geográfica e ecológica entre os dois parques fortalece os argumentos da candidatura, que destaca as vantagens da gestão conjunta e do intercâmbio científico e conservacionista entre ambos países.
“O Parque Nacional de Maputo e o iSimangaliso são adjacentes. As vantagens de uma maior abrangência de espécies protegidas e da pesquisa e gestão colaborativa para os Governos de Moçambique e da África do Sul são impressionantes”, refere-se na proposta.
Enquanto o iSimangaliso já é património mundial, o local que abrange a região da Baía de Maputo até à Ponta do Ouro, incluindo a ilha de Inhaca, foi classificado em 2003, segundo a candidatura, como o 4.º prioritário mais importante para protecção e indicação ao estatuto.
A história da conservação a sul da capital moçambicana começou em 1932, quando era uma pequena área de caça onde os elefantes eram os principais alvos. Em 1969, a importância da biodiversidade local levou à classificação como Reserva Especial de Maputo. Após o declínio provocado pela guerra civil que se seguiu à independência, impulsionado pela assinatura em 2006 de um memorando de entendimento entre o Governo e a Fundação Peace Parks – ONG que defende a criação de áreas protegidas transfronteiriças na África -, e já unificando a gestão das duas componentes de protecção terrestre e marinha, desde 2010 que o Parque Nacional de Maputo não pára de crescer, com a reintrodução e translocação de espécies.
“Trouxemos um pouco mais de cinco mil animais de 14 espécies diferentes, primeiro herbívoros e agora estamos a reintroduzir os carnívoros. Introduzimos algumas chitas, neste momento temos uma população de hienas e possivelmente teremos de trazer mais leopardos (…). É esse é o plano”, explicou à Lusa, em 2024, o administrador do parque, Miguel Gonçalves.

Com as emblemáticas girafas e elefantes que costumam passear pela Estrada Nacional Número Um (N1), o Parque Nacional de Maputo combina “mar e terra” numa área total de 1718 quilómetros quadrados. Oficialmente, foi criado a 7 de Dezembro de 2021, juntando duas áreas protegidas adjacentes historicamente estabelecidas: a Reserva Especial de Maputo (1040 quilómetros quadrados na componente terrestre) e a Reserva Marinha Parcial da Ponta do Ouro (678 quilómetros quadrados).
A área marinha protegida estende-se desde a Ponta do Ouro, na fronteira sul com a África do Sul, até a foz do rio Maputo, a norte, e por três milhas náuticas para o alto mar.
Após o declínio provocado também pela caça furtiva, o parque apostou fortemente na fiscalização e conta há cerca de 15 anos com o apoio da Fundação Peace Parks. Agora, introduzir outras espécies, desde o leão, com o apoio a Àfrica do Sul, é uma “possibilidade” em cima da mesa. E o mesmo se passa com rinocerontes: “Iremos ver. Vai depender muito das dinâmicas à volta da criminalidade sobre os nossos rinocerontes. Mas os mesmos já existiram aqui. Estamos a fazer hoje um esforço muito grande de protecção e, consequentemente, financeiro, mas não é uma possibilidade de descartar.”
No seu interior, o parque conta com florestas dunares, pradarias, mangais, recifes de coral, praias, rios e lagoas, o que o tornam “único”, como o próprio logótipo: um elefante e uma tartaruga.
“No mesmo dia e no mesmo local, num dia de sorte, podemos ter a baleia corcunda de um lado e o elefante do outro. O maior mamífero terrestre do mundo e um dos maiores mamíferos marinhos do mundo”, contou ainda o administrador.



























































