A multinacional francesa TotalEnergies confirmou que irá retomar, até meados de 2025, as actividades do projecto Mozambique LNG, suspenso desde Abril de 2021 devido à instabilidade securitária em Cabo Delgado. O anúncio foi feito pelo presidente executivo da companhia, Patrick Pouyanné, durante a apresentação dos resultados do quarto trimestre de 2024, na passada quarta-feira (30).
Com um investimento global estimado em 20 mil milhões de dólares (1,2 bilião de meticais), o projecto foi interrompido na sequência de uma vaga de ataques insurgentes nas imediações da vila de Palma, o que levou à declaração de força maior. Actualmente, segundo o responsável da TotalEnergies, o local das operações encontra-se “completamente seguro”, aguardando-se apenas a finalização dos trâmites financeiros para a reactivação plena do empreendimento.
“Esperamos reiniciar as actividades até meados de 2025”, afirmou Pouyanné, sublinhando que o levantamento oficial da força maior está condicionado à aprovação dos financiamentos e garantias institucionais pendentes. Entre estes, destaca-se o envolvimento do Governo dos Estados Unidos, cuja decisão de revalidação de apoios deverá ser oficializada nas próximas semanas.
Embora a conclusão inicial do projecto estivesse prevista para 2027, a necessidade de reaprovação dos financiamentos poderá estender o prazo para entre 2029 e 2030. O processo envolve ainda compromissos de outras agências de crédito à exportação, nomeadamente do Reino Unido e dos Países Baixos, cujas decisões são consideradas cruciais para a consolidação do financiamento internacional.
Em Março de 2025, o banco norte-americano US ExIm Bank revalidou um empréstimo de 4,7 mil milhões de dólares ( 296 mil milhões de meticais), passo considerado determinante para a viabilização da retoma. Está igualmente em análise um novo financiamento de cerca de 7 mil milhões de dólares (441 mil milhões de meticais), a ser garantido por entidades financeiras dos Estados Unidos.
A decisão de retomar o projecto foi influenciada pela melhoria significativa das condições de segurança em Cabo Delgado, resultado de operações conjuntas entre as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas, tropas da SADC e contingentes militares do Ruanda. A TotalEnergies tem mantido um diálogo constante com as autoridades nacionais, de modo a assegurar uma retoma que privilegie a estabilidade e a sustentabilidade.
O Mozambique LNG, considerado um dos maiores projectos de gás natural liquefeito em África, deverá atingir uma capacidade de produção anual de 12,8 milhões de toneladas na sua fase inicial. A sua concretização é vista como um marco estratégico para a economia moçambicana, com potencial para gerar receitas avultadas e posicionar o País como um actor relevante no panorama energético internacional.
Paralelamente, a italiana Eni continua a expandir a sua presença em Moçambique, tendo sido aprovado recentemente o desenvolvimento do Coral Norte FLNG, projecto offshore estimado em 7,2 mil milhões de dólares (453,6 mil milhões de meticais) e com arranque previsto para 2028. Com a conjugação destes empreendimentos, Moçambique consolida a sua posição como plataforma energética de dimensão global.
Fonte: Energy Intelligence


























































