O Governo moçambicano está em negociações com a empresa CTT, desenvolvedora do projecto da Central Térmica de Temane, e com a Globeleq, empresa gestora da obra, para a retoma da construção da referida central.
A informação foi avançada pelo Presidente da República, Daniel Chapo, durante uma conferência de imprensa realizada no final da sua visita de três dias à província de Inhambane, que terminou na passada quinta-feira (17), noticiou a Agência de Informação de Moçambique (AIM).
Segundo explicações do Presidente, a paralisação das obras deve-se à danificação das duas turbinas que deveriam ter sido instaladas, na sequência da passagem do ciclone Filipo, que assolou a província de Inhambane em Março de 2024.
“Não é por vontade da CTT ou da empresa responsável pela execução que a obra está paralisada, mas sim devido a um incidente ocorrido aqui em Inhambane, no distrito de Inhassoro, onde o ciclone destruiu as turbinas”, afirmou o Chapo.
Devido ao grau de destruição do equipamento, tornou-se necessário encomendar novas turbinas, processo que já está em curso para permitir a retoma do projecto. Com mais de dois anos passados desde o início das obras — período inicialmente previsto para a conclusão da infra-estrutura — o empreiteiro, a empresa espanhola TSK, solicitou a prorrogação do contrato de execução.
“Neste momento, há negociações entre a Globeleq, empresa líder do projecto — que integra também a Sasol e a Electricidade de Moçambique (EDM) — e o empreiteiro, a empresa espanhola TSK”, revelou o Presidente.
Face a este contexto, Chapo considera necessário renegociar os prazos contratuais com a TSK, de forma a garantir a continuidade e a conclusão da obra. “O assunto está a ser tratado e é importante que se tenha conhecimento do que realmente está a acontecer”, sublinhou.

Avaliado em 650 milhões de dólares, o projecto da Central Térmica de Temane inclui também uma refinaria de gás de cozinha e é considerado fundamental para interligar as diferentes redes eléctricas de Moçambique.
A central vai sustentar a construção de uma linha de transmissão de circuito único de 400 quilovolts, com uma extensão de 563 quilómetros entre a província de Maputo e o distrito de Vilanculos, em Inhambane.
Os adiamentos que se verificam no projecto impactam negativamente o início da operação de outros dois projectos que estão ligados a CTT, nomeadamente a linha de transmissão de energia com uma extensão de mais de 500 quilómetros, denominado Temane Transmission Project (TTP) e o Acordo de Partilha de Produção (PSA, sigla em inglês).
A CTT é uma parceria público-privada formada pela empresa inglesa de energia Globeleq, EDM e a petroquímica sul-africana Sasol, que obteve uma concessão válida por 25 anos, devendo, no final do contrato, transferir-se o activo para o Estado moçambicano.

























































