A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) anunciou o adiamento, por mais uma semana, da greve agendada para segunda-feira (7). Mas alertou para a “impaciência” dos associados, informou a DW.
“Nós vamos avançar, ou não, com a greve mediante os resultados que vamos ter durante a próxima semana (…). Dissemos que tinham de ser céleres até à próxima semana, porque os associados já estão impacientes”, declarou Anselmo Muchave, presidente da APSUSM, durante uma conferência de imprensa, em Maputo, na sexta-feira (4).
Segundo o responsável, no encontro realizado na quinta-feira, o Executivo moçambicano avançou que está a reunir a documentação, junto de outras entidades, para a resolução das reivindicações do sector, tendo também anunciado a aquisição de parte do material dos hospitais que os profissionais de saúde reclamam.
“Nós aguardamos que o Governo possa trazer-nos os resultados daquilo que são os documentos que estavam parados nos ministérios desde o ano passado (…). Ao saírem esses dados, vamos já tomar uma decisão definitiva sobre a greve”, declarou Muchave, alertando para a retoma da greve caso os resultados apresentados pelo Executivo “não sejam satisfatórios.”
A APSUSM avançou que não foram ainda marcadas as datas para o próximo encontro com o Governo, no que seria a segunda reunião entre as partes, após ter sido desconvocada uma greve prevista para segunda-feira.
Causas das reivindicações
Em causa estão as exigências da APSUSM, que há três anos pede que o Governo providencie medicamentos aos hospitais, face à necessidade, em alguns casos, de serem adquiridos pelos pacientes, bem como a aquisição de camas hospitalares.
Outras reivindicações passam pela resolução da “falta de alimentação”, o equipamento de ambulâncias com materiais de emergência e equipamentos de protecção individual não descartáveis, cuja ausência vai “obrigando os funcionários a comprarem do seu próprio bolso”, além de um melhor enquadramento no âmbito da Tabela Salarial Única (TSU).
O ministro da Saúde, Ussene Isse, alertou, a 21 de Março, que uma eventual greve no sector seria “um desastre”, tendo pedido diálogo aos profissionais.
O Sistema Nacional de Saúde enfrentou, nos últimos dois anos, diversos momentos de pressão, provocados por greves de funcionários, convocadas, primeiro, pela Associação Médica de Moçambique (AMM) e, depois, pela APSUSM, que abrange cerca de 65 mil profissionais de saúde de diferentes departamentos e que exigem, sobretudo, melhorias das condições de trabalho.
O País tem um total de 1778 unidades de saúde, 107 das quais são postos de saúde, três são hospitais especializados, quatro hospitais centrais, sete são gerais, sete provinciais, 22 rurais e 47 distritais, segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde.
























































