A empresa Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) anunciou nesta segunda-feira, 31 de Março, a suspensão de voos directos para a Cidade do Cabo, na África do Sul, a partir de 8 de Abril, com objectivo de “optimizar a rentabilidade e eficiência de gestão”.
“Esta decisão estratégia faz parte do plano de reestruturação do negócio da companhia de bandeira nacional, cujo principal objectivo é optimizar a rentabilidade das operações e eficiência de gestão da entidade”, avançou a LAM por meio de um comunicado.
A transportadora referiu, no documento, que o plano de reestruturação inclui a “avaliação exaustiva” do desempenho das rotas, o que determina a redefinição dos percursos da sua frota, afirmando estar agora mais concentrada em “destinos domésticos”, para além da sua rota regional de referência, Maputo-Joanesburgo-Maputo, que se mantém.
Entretanto, a entidade garantiu que estão criadas as condições para garantir as viagens para a Cidade do Cabo a todos os que adquiriram bilhetes para datas posteriores a 8 de Abril.
Em Fevereiro, a LAM anunciou a suspensão imediata da rota Maputo-Lisboa. A medida foi justificada pelos elevados prejuízos acumulados, que ultrapassam os 21 milhões de dólares (1,3 mil milhões de meticais), desde a sua inauguração. O transporte era assegurado por um Boeing 777 de 302 lugares, resultante de uma parceria com a operadora EuroAtlantic.
Na altura, o porta-voz da companhia, Alfredo Cossa, explicou que a suspensão da rota era uma das acções tomadas no âmbito de uma reestruturação da empresa, que estava a ser alinhada com o plano de 100 dias do Governo, salientando que os esforços seriam redireccionados para o mercado doméstico e regional, onde as operações eram mais sustentáveis.
A empresa destacou que alimentou a operação de Lisboa com recursos provenientes do mercado doméstico, o que acabou por tornar-se insustentável. “Não podemos continuar a voar ‘grande’ enquanto a casa não estiver arrumada. Primeiro, precisamos de consolidar o mercado doméstico. Depois avançaremos para o mercado regional e internacional de forma mais sólida”, explicou.
A reestruturação da LAM incluiu também a suspensão de outras rotas deficitárias, como a de Maputo-Harare-Lusaka, que gerou perdas de 307 mil dólares (19,6 milhões de meticais).
Abandonada pela companhia por quase 12 anos, a rota Maputo – Lisboa foi retomada em Dezembro de 2023, na mesma altura em que a LAM se estreou na Cidade do Cabo. As duas rotas faziam parte do plano de revitalização da operadora moçambicana, após a sul-africana Fly Modern Ark (FMA) ter assumido a sua gestão para ajudar no processo de reestruturação.
O valor estimado a ser arrecadado com a venda das acções do Estado (130 milhões de dólares, aproximadamente 8,3 mil milhões de meticais) será destinado à aquisição de oito novas aeronaves e à reestruturação da empresa.
























































