O Presidente da República, Daniel Chapo, encontrou-se este domingo (23), em Maputo, com o antigo candidato presidencial Venâncio Mondlane, num momento que marca um possível ponto de viragem na crise política que se arrasta desde as eleições gerais de 2024. Segundo a Presidência da República, o encontro teve como objectivo “discutir soluções face aos desafios que o País enfrenta”.
Num comunicado divulgado durante a madrugada, a Presidência sublinha que esta reunião, a primeira entre os dois líderes, “faz parte de um esforço contínuo para promover a estabilidade nacional e reforçar o compromisso com a reconciliação e a unidade dos moçambicanos”.
“A resolução da crise pós-eleitoral e o fortalecimento do Estado Democrático são metas prioritárias para garantir um País mais justo e inclusivo”, lê-se na nota. “O gesto do Presidente da República de dialogar com Venâncio Mondlane simboliza a vontade de construir pontes e fomentar um diálogo aberto e construtivo.”
A mesma nota reforça que o diálogo entre diferentes forças políticas e sociais é essencial para restaurar a confiança nas instituições e criar um ambiente político estável, condição indispensável ao desenvolvimento do País. “Guiado pelos princípios do Estado de Direito, do respeito pelos Direitos Humanos e dos interesses superiores do povo moçambicano, o Governo continua a envidar esforços para consolidar a paz e a estabilidade”, acrescenta.
Daniel Chapo publicou também, nas primeiras horas de hoje, uma fotografia do encontro na sua página oficial no Facebook, acompanhada da legenda: “Diálogo, diálogo, diálogo. Nossa missão, nossa prioridade.”
A reunião aconteceu num contexto de tensão prolongada, com protestos nas ruas desde Outubro, cuja repressão já provocou, segundo fontes oficiais, cerca de 360 vítimas mortais. Venâncio Mondlane, que ficou em segundo lugar nas eleições e recusa reconhecer os resultados oficiais, foi recentemente alvo de uma medida de coacção – termo de identidade e residência –, aplicada pela Procuradoria-Geral da República, no âmbito de um processo onde é acusado de incitação à violência.
O encontro teve lugar poucas semanas após a assinatura, em Maputo, do Compromisso Político para um Diálogo Nacional Inclusivo, firmado entre o chefe do Estado e representantes de nove partidos políticos. O documento, que deverá ainda ser apreciado pela Assembleia da República, pretende estabelecer linhas orientadoras para uma revisão constitucional e para uma governação mais participativa.
Embora o caminho para uma reconciliação plena permaneça incerto, o gesto de aproximação entre Daniel Chapo e Venâncio Mondlane representa um sinal de abertura e poderá ser o primeiro passo para quebrar o impasse político que o País vive há meses.

























































