O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Governo de Itália e o Ministério das Comunicações e Transformação Digital realizaram esta quinta-feira, 20 de Fevereiro, um seminário de trabalho para discutir o “Digital Readiness Assessment” e estratégias para impulsionar a transformação digital no País, onde se concluiu que a infra-estrutura tecnológica, a baixa conectividade e a literacia digital ainda constituem grandes desafios no processo de digitalização.
O evento, que reuniu instituições-chave do sector digital, tais como o Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC), o Instituto Nacional de Governo Electrónico (INAGE), o Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM), o Fundo de Serviço de Acesso Universal (FSAU), o Centro de Investigação e Transferência de Tecnologia (CITT) e a empresa Tmcel, teve como objectivo avaliar a prontidão digital de Moçambique e identificar áreas prioritárias para investimentos e políticas públicas que promovam a inclusão digital e o desenvolvimento tecnológico sustentável.
O associado do Programa de Descentralização do PNUD, Danilo Jone, apontou a conectividade ao longo do território nacional como um dos principais desafios. “É difícil ter conexão de Internet com qualidade em todo o País. Se for a um posto administrativo, certamente poderá não conseguir uma ligação nesse momento. Estas dificuldades acabam também por afectar o funcionamento da própria administração pública”, disse, destacando ainda outros desafios: “Além da questão da conectividade, temos a própria infra-estrutura de conexão, assim como a disponibilização da Internet nas escolas.”
Diante dos problemas mapeados, o responsável explicou que o PNUD e outros parceiros têm levado a cabo uma série de actividades e iniciativas para responder ao desafio da conectividade. “Como comunidade, temos vindo a trabalhar ao nível do distrito, e uma das questões que encontramos é precisamente esta, que tem que ver com a conectividade. Estamos agora com um projecto designado ‘Conectando Comunidades’, que está a ser implementado na província de Nampula. Uma das componentes principais da iniciativa é a instalação de praças digitais, que também faz parte dos planos centrais do Governo para a transformação digital”, explicou.
A fonte sublinhou que o projecto é financiado pelo Governo de Itália, que confiou ao PNUD a sua implementação em Moçambique. O projecto, além de se focar na conectividade, procura melhorar as infra-estruturas públicas digitais.
“Uma das questões que referi anteriormente é a literacia digital. Nas zonas recônditas, as pessoas não conhecem bem o meio digital. Podemos fornecer Internet às comunidades, mas se as pessoas não souberem usá-la, não iremos longe”, afirmou, destacando a necessidade de melhorar o conhecimento das populações em relação às tecnologias de informação e comunicação.
Falando sobre o evento, Danilo Jone explicou que o workshop é uma etapa de uma missão da Agência Italiana da Digitalização e do PNUD, que vem ao País para o lançamento de uma iniciativa denominada “Digital Flagship for Africa”. “Ao longo da semana, tivemos vários encontros com diversas instituições envolvidas no processo de transformação digital do País. Organizámos este workshop para fazermos uma reflexão mais ampla, discutir os desafios e, principalmente, compreender as prioridades do Governo na componente da transformação digital nos próximos anos”, concluiu.
Texto: Nário Sixpene























































