A economia registou uma contracção de 4,87% no quarto trimestre de 2024, em comparação com o mesmo período de 2023, segundo dados do Governo a que o Diário Económico teve acesso esta quarta-feira (19). O desempenho negativo foi impulsionado pela instabilidade social e pela queda no sector industrial.
De acordo com o Relatório de Execução Orçamental de 2024, do Ministério das Finanças, “o Produto Interno Bruto a preços de mercado (PIB) apresentou uma variação negativa de 4,87% no quarto trimestre de 2024, quando comparado ao mesmo período de 2023, perfazendo um acumulado anual de 1,85%”.
O sector secundário foi o mais afectado, com uma retracção de 8,87%, destacando-se a queda de 11,14% na indústria transformadora. “O ramo da electricidade, gás e distribuição de água caiu 4,55%, enquanto o sector da construção teve uma redução de 4,09%”, aponta o relatório.
Além dos desafios climáticos, com secas severas e ciclones a afectarem a economia, o documento reconhece “o impacto negativo das manifestações pós-eleitorais registadas no último trimestre de 2024”, que afectaram directamente as actividades económicas e sociais.
Desde as eleições gerais de 9 de Outubro, o País tem assistido a protestos, cortes de estradas, destruição de infra-estruturas e confrontos que resultaram em mais de 300 mortos, agravando as incertezas económicas.
O Governo previa um crescimento de 5,5% do PIB para 2024, esperando que a economia atingisse 1,5 biliões de meticais (23 mil milhões de dólares). No entanto, o desempenho do último trimestre comprometeu essa projecção, resultando num crescimento anual de apenas 1,85%.

No terceiro trimestre de 2024, o PIB havia crescido 3,68%, impulsionado pela indústria extractiva, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). Entretanto, o abrandamento nos últimos meses do ano lança incertezas sobre a recuperação económica.
O governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, já alertou que o primeiro trimestre de 2025 será desafiador. “Na melhor das hipóteses, Moçambique deve registar um crescimento zero ou provavelmente negativo até Março”, afirmou, acrescentando que a economia poderá recuperar lentamente a partir do segundo trimestre.
Para estimular a economia, o Banco de Moçambique reduziu a taxa de juro de política monetária MIMO de 12,75% para 12,25% e baixou os coeficientes de reservas obrigatórias dos bancos, na tentativa de impulsionar o crédito e o investimento.
Texto: Felisberto Ruco

























































