A organização não-governamental (ONG) Observatório do Cidadão para a Saúde (OCS) defendeu nesta quinta-feira (13) que Moçambique deve pensar em estratégias para reduzir a sua dependência externa face ao corte da ajuda internacional norte-americana, considerando que a medida tem um “enorme impacto” no País, informou a Lusa.
De acordo com a agência, o director da ONG, Jorge Matine, considerou: “Como país, temos sempre de pensar em como reduzir a dependência externa, mas também como melhorar a cooperação porque há questões que Moçambique não vai conseguir solucionar por si próprio, precisa da aprendizagem e do apoio de outros países.”
O responsável lembrou que mais de 70% do sistema público de saúde moçambicano nas áreas de HIV/SIDA, tuberculose, planeamento familiar e laboratórios depende de fundos de doadores, incluindo o Governo dos Estados Unidos da América (EUA), que está entre os principais, pelo que a suspensão do financiamento tem um “impacto enorme e significativo” nos serviços de saúde do País.
“É um impacto significativo, haverá uma paragem de serviços (…) É muito difícil para o Governo, em menos de três a seis meses, mobilizar recursos suficientes para substituir os fundos americanos. Isso não vai ser possível”, frisou.
Matine defendeu a necessidade de o Executivo moçambicano negociar com os EUA e outros doadores um “prazo aceitável”, entre um e dois anos, para “começar gradualmente a pensar” em estratégias internas de reorganização do financiamento dos serviços de saúde, alertando para futuros “choques”.
“Temos de aprender que, para além dos choques pandémicos, vamos ter abalos como este por parte do Governo sobre os quais não temos qualquer controlo (…). Por isso, precisamos de coordenar melhor a ajuda para que não crie grande dependência, mas, ao mesmo tempo, como aproveitar a cooperação para reforçar aquilo que é o nosso sistema nacional de saúde”, afirmou o director.
Novo mandato de Trump e suspensão da ajuda dos Estados Unidos da América
Nos primeiros dias do seu segundo mandato, o Presidente dos EUA, Donald Trump, suspendeu toda a ajuda internacional durante 90 dias, com excepção dos programas alimentares humanitários e da ajuda militar a Israel e ao Egipto.
Prevê-se que a África Subsaariana seja a região mais afectada por esta decisão. A Moçambique, por exemplo, foram atribuídos dezenas de milhões de dólares para o HIV/SIDA e para programas alimentares de emergência em 2023.
O secretário de Estado norte-americano Marco Rubio será o novo director interino da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), que acusou de ser “completamente desprovida de capacidade de resposta”, criticando a “insubordinação” naquele organismo.
A USAID – cujo website desapareceu sem explicação – tem sido uma das agências federais mais visadas pela nova administração.
Trump, bem como o responsável do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), o empresário Elon Musk, e alguns congressistas republicanos têm criticado a USAID – que supervisiona programas humanitários, de desenvolvimento e de segurança em cerca de 120 países – em termos cada vez mais duros, acusando-a de promover causas progressistas.
























































