O Governo assumiu esta sexta-feira, 7 de Fevereiro, que a suspensão da ajuda internacional norte-americana “compromete” programas de saúde em Moçambique, com destaque para o HIV/Sida, e que está em “diálogo” com a embaixada dos Estados Unidos para “mitigar os impactos”.
“A retirada brusca desse apoio compromete, de alguma forma, a eficiência na implementação desses programas. O apoio do Governo americano financia uma parte considerável da provisão de profissionais de saúde e sobretudo na área de assistência de HIV/SIDA”, disse Inocêncio Impissa, porta-voz do Governo e ministro da Administração Estatal e Função Pública, durante uma conferência de imprensa, em Maputo.
Reconhecendo a “gravidade da medida” anunciada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, o governante garantiu, contudo, a continuidade de serviços essenciais de saúde, pedindo que a população não entre em pânico.
O ministro, citado pela Lusa, disse que a suspensão do financiamento tem também implicações na aquisição e distribuição de medicamentos, e destacou a importância do apoio para manter programas estratégicos e prioritários de saúde no País, como o combate, entre outras doenças, ao HIV/Sida e tuberculose.
“Quer o armazém central, como os regionais, vão sentir, para os próximos dias, alguma superlotação de medicamentos porque a logística de transporte para estes meios até aos pontos onde devem ser distribuídos sofreu uma ruptura”, detalhou o ministro, acrescentando que também se coloca em causa o rácio de profissionais de saúde por habitantes.
Segundo o governante, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu um rácio de 45 profissionais de saúde por cada dez mil habitantes, mas Moçambique tem pouco mais de 18 profissionais para cada dez mil habitantes.
“Estamos muito distantes e esta suspensão de apoio naturalmente constitui um desafio enorme para alcançarmos esta meta”, referiu Inocêncio Impissa.
“O Governo iniciou um diálogo com a representação dos Estados Unidos da América para reverter ou mitigar o cenário da suspensão do financiamento, mas também mobilizar fontes alternativas de financiamento”, acrescentou Inocêncio Impissa.
O ministro avançou ainda que será necessário definir prioridades e optimizar os recursos existentes no País para minimizar o impacto da suspensão de financiamento sobre os serviços essenciais.
“Precisamos de definir prioridades do que é que efectivamente não deve fazer falta durante o período em que esta medida se mantiver, mas também explorar os mecanismos emergenciais de financiamento para garantir a continuidade dos serviços críticos até que uma solução durável e sustentável seja, de facto, encontrada”, declarou o porta-voz do Executivo.
Nos primeiros dias do seu segundo mandato, o Presidente norte-americano, Donald Trump, suspendeu toda a ajuda internacional durante 90 dias, com excepção dos programas humanitários alimentares e da ajuda militar a Israel e ao Egito.
Espera-se que a África Subsaariana seja a região mais afectada por esta decisão. Moçambique, por exemplo, teve atribuídos em 2023 dezenas de milhões de dólares para programas relacionados com o HIV/SIDA e de emergência alimentar.




























































