Um grupo de cientistas da Faculdade de Agricultura e Ciências da Vida de Cornell, nos Estados Unidos, criou uma solução inovadora e sustentável com benefícios duplos para o ambiente. A investigação, liderada pelo investigador pós-doutorado Amin Zadehnazari, baseia-se na criação de covalent organic frameworks (VCOF), ou seja, estruturas orgânicas covalentes ligadas a vinil.
Estas VCOF foram concebidas para detectar iões e nanopartículas de ouro no hardware dos dispositivos electrónicos fora de uso, e fazem-no com uma precisão e eficiência notáveis. Aliás, verificou-se que um dos VCOF capturava 99,9% do ouro, deixando para trás outros metais como o níquel e o cobre.
O novo método extrai o ouro do lixo electrónico e utiliza-o para converter o dióxido de carbono (CO2), um dos principais gases com efeito de estufa, em produtos químicos úteis.
“Podemos então utilizar os VCOF carregados de ouro para converter o CO2 em produtos químicos úteis. Ao transformar o CO2 em materiais de valor acrescentado, não só reduzimos as exigências de eliminação de resíduos, como proporcionamos benefícios ambientais e práticos. É uma espécie de ganho mútuo para o ambiente”, esclareceu Zadehnazari.

As propriedades únicas das VCOF residem nos seus blocos de construção – tetratiafluvaleno (TTF) e tetrafeniletileno (TPE). O primeiro é rico em enxofre, o que o torna um íman natural para o ouro, e o segundo demonstrou uma resistência surpreendente, suportando 16 lavagens e reutilizações sem apresentar uma perda significativa de eficiência de adsorção (processo pelo qual moléculas ou iões de um fluido são atraídos ou retidos numa superfície sólida).
Duplicando os benefícios da técnica desenvolvida pelos cientistas, esta tem a capacidade de converter CO2 em matéria orgânica. Desta forma, não se trata apenas de extrair o metal precioso, mas de reduzir os níveis de um potente gás com efeito de estufa.
“Sabendo a quantidade de ouro e de outros metais preciosos que entram neste tipo de dispositivos electrónicos, é muito importante poder recuperá-los de uma forma que permita capturar selectivamente o metal que se pretende – neste caso, o ouro”, explicou Alireza Abbaspourrad, co-autor do estudo e professor de química alimentar e tecnologia de ingredientes, sublinhando a importância desta recuperação selectiva.
Tendo em conta que o futuro entregará 80 milhões de toneladas métricas de resíduos electrónicos até 2030, resultado da evolução tecnológica, é crucial perceber como podemos lidar com esse lixo electrónico de forma sustentável.
Fonte: Sapo

























































