A ferrovia Maputo-Ressano Garcia vai entrar na segunda fase do projecto de duplicação, uma iniciativa que aposta na transformação do transporte de mercadorias no Sul de Moçambique e no aumento das exportações do País. Este avanço, liderado pela empresa Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM), é uma resposta directa à crescente procura do sistema ferro-portuário da região, nomeadamente para servir os mercados industriais e mineiros da África do Sul e países vizinhos.
Segundo informou O Económico, esta segunda-feira, 6 de Janeiro, a primeira fase, concluída em Setembro de 2024 já apresentou resultados significativos, aumentando a capacidade de transporte para 13 milhões de toneladas métricas por ano. Com o início da segunda fase, a previsão é atingir 24 milhões de toneladas métricas por ano, o que representa uma contribuição relevante para o comércio regional e internacional.
Este projecto, avaliado em cerca de 80 milhões de dólares na sua primeira fase, inclui não só a duplicação da linha, mas também a melhoria do terminal ferroviário de passageiros na Estação Central de Maputo e a expansão de infra-estruturas logísticas críticas, como o estaleiro de Ressano Garcia. O objectivo é integrar os fluxos de carga para os mercados externos de forma mais eficiente e garantir que Moçambique consolide a sua posição como um centro estratégico no corredor sul-africano.
O compromisso dos CFM não se limita à melhoria da capacidade física do caminho-de-ferro. A empresa pretende seleccionar serviços de consultoria especializados para gerir e supervisionar o projecto, garantindo o cumprimento das normas internacionais em termos de segurança, eficiência e sustentabilidade ambiental. Parte do financiamento da segunda fase será assegurado por parceiros como a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), reforçando a dimensão internacional do empreendimento.
Para além do impacto directo no transporte de mercadorias, o projecto traz benefícios económicos e sociais para as comunidades ao longo da linha. Com o aumento do tráfego ferroviário, prevê-se uma redução significativa dos custos de transporte e um alívio da pressão sobre as infra-estruturas rodoviárias, contribuindo para a redução dos acidentes e das emissões de carbono.
Nos últimos cinco anos, o investimento no sector ferroviário de Moçambique tem sido uma prioridade estratégica para responder à crescente procura de logística. O projecto ferroviário Maputo-Ressano Garcia é mais um exemplo do empenho do País em melhorar as suas infra-estruturas e reforçar a integração regional.
Entretanto, com a conclusão desta segunda fase, a ferrovia Maputo-Ressano Garcia poderá atingir níveis recorde de eficiência e produtividade, consolidando o papel de Moçambique como um actor-chave no comércio regional. No entanto, desafios relacionados com a gestão de recursos, monitorização ambiental e coordenação logística continuam a exigir atenção rigorosa para assegurar o sucesso a longo prazo.



























































