O assessor jurídico de Venâncio Mondlane, Dinis Tivane, considera que os deputados do partido Povo Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (Podemos) não devem tomar posse no dia 13 de Janeiro porque isso seria uma “traição” à luta do povo que está a ser feita nas ruas desde o dia 21 de Outubro de 2024, informou o RFI.
Segundo o responsável, não há razão para que o Podemos corra para a tomada de posse dos seus deputados em número abaixo do que afirma ter conquistado nas eleições gerais de 09 de Outubro, tal como apoiado pelo Podemos, Dinis Tivane rejeita os resultados proclamados pelo Conselho Constitucional.
“A tomada de posse do partido Podemos seria sim uma traição porque o povo está a fazer uma luta, está nas ruas. Mais do que isso é facto de o partido Podemos, por tudo aquilo que foi a nossa contagem paralela, tem 138 assentos. Qual é a razão de correr para tomar posse de 40 e tal assentos quando ele merece 138? Porque é que está a correr para pegar os 40 que não os vai perder e deixar para trás os 90 que são a razão da luta do povo moçambicano, a razão do sangue do povo moçambicano ?”, questionou Tivane, num vídeo partilhado na sua rede social Facebook.
“É uma traição tomar posse numa altura em que estão a morrer pessoas, o engenheiro Venâncio Mondlane ganhou estas eleições, o Podemos deveria estar engajado em continuar com a luta da vitória e da verdade eleitoral, da justiça social e não correr para tomar posse de algo que não vai perder ou de uma remuneração que nunca foi seu direito”, acrescentou.
A tomada de posse dos deputados da Assembleia da República de Moçambique está marcada para o dia 13 de Janeiro e no dia 15 será a investidura de Daniel Chapo como 5.° Presidente eleito de Moçambique, segundo anúncio feito pelo Conselho constitucional (CC).
O até então o extraparlamentar Povo Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (Podemos), registado em Maio de 2019, viu a sua popularidade aumentar desde que anunciou, a 21 de Agosto, o apoio à candidatura de Venâncio Mondlane nas presidenciais, pouco tempo depois de Mondlane ter o seu partido Coligação Aliança Democrática rejeitada pelo CC por alegadas “irregularidades”.
“Com o acordo político, foi o Podemos que, politicamente, foi apoiado e promovido”, frisou Dinis Tivane, que defendeu ainda que, à luz da lei, o partido não vai perder os seus mandatos, caso não participe na “investidura simbólica” de 13 de Janeiro.
Os resultados promulgados pelo CC apontam o Podemos como o maior partido de oposição em Moçambique no próximo parlamento, com 43 deputados, tirando um estatuto que era da Renamo desde as primeiras eleições multipartidárias, em 1994. Dos 250 assentos que compõem a Assembleia da República, a Renamo passou de 60 deputados, que obteve nas legislativas de 2019, para 28 parlamentares. A Frelimo, no poder desde a independência, manteve-se com uma maioria parlamentar, com 171 deputados. Quanto ao MDM, até agora terceira força política do País, passa para quarto lugar com oito deputados.























































