A crise política e social que se instalou em Moçambique após as eleições gerais de 9 de Outubro poderá colocar em risco a continuidade dos projectos financiados pelo Banco Mundial (BM) no País. A vice-presidente do organismo para a África Oriental e Austral, Victoria Kwakwa, alertou que a violência pós-eleitoral poderá levar a ajustamentos nas operações da instituição, caso o ambiente de instabilidade persista, segundo informou a Lusa.
“O Banco Mundial é uma organização apolítica. Enquanto conseguirmos operar de forma segura, reduzindo os riscos e garantindo transparência e inclusividade, continuaremos o nosso trabalho. Contudo, é preocupante o que se está a passar. Esperamos uma resolução pacífica e que a situação no Norte não se agrave”, afirmou Victoria Kwakwa em entrevista à Lusa.
Actualmente, o BM mantém mais de 40 projectos em Moçambique, avaliados em cerca de 511,2 mil milhões de meticais (7 mil milhões de dólares), focados em áreas como educação, saúde, protecção social e desenvolvimento sustentável.
Segundo Kwakwa, esses projectos continuam a ser implementados sem alterações significativas, mas há flexibilidade para ajustar a abordagem, dependendo da evolução do cenário político e de segurança no País.
“Até ao momento, não fizemos nenhum ajustamento porque estamos a conseguir implementar as operações. No entanto, se for necessário, poderemos abrandar ou mesmo interromper algumas actividades”, destacou.

Desafios no Norte e Exclusão de Megaprojectos de Gás
A crise pós-eleitoral soma-se à já complexa situação no Norte de Moçambique, marcada por ataques armados desde 2017. Apesar disso, o Banco Mundial não prevê financiamento directo aos megaprojectos de gás natural na região. Desde 2019 que a instituição excluiu do seu portefólio financiamentos relacionados com petróleo e gás, salvo em casos excepcionais onde não haja alternativa viável para garantir receitas ao Estado.
“Moçambique possui um vasto potencial em energias renováveis, como a eólica, e é nisso que estamos focados. O financiamento de projectos de petróleo e gás nestes países está fora de questão”, reiterou Victoria Kwakwa.
Impacto da Crise Pós-Eleitoral
Entre 21 de Outubro e 21 de Novembro, os protestos relacionados com os resultados eleitorais levaram à morte de pelo menos 67 pessoas, com 210 a ficarem feridas, segundo a Plataforma Eleitoral Decide. Os confrontos entre manifestantes, que apoiam o candidato da oposição, Venâncio Mondlane, e as forças de segurança têm sido marcados por repressão policial e detenções em massa.
A Comissão Nacional de Eleições (CNE) atribuiu a vitória presidencial a Daniel Chapo, candidato apoiado pela Frelimo, com 70,67% dos votos, mas os resultados ainda carecem de validação pelo Conselho Constitucional. Enquanto isso, os apelos por estabilidade e resolução pacífica da crise multiplicam-se.
O Banco Mundial reafirma o seu compromisso em continuar a trabalhar com o novo Governo, mantendo o foco na promoção de crescimento inclusivo e resiliente, mas destaca que o agravamento da instabilidade poderá afectar o futuro dos projectos no País.



























































