A crise pós-eleitoral em Moçambique está a levantar preocupações quanto à continuidade dos projectos financiados pelo Banco Mundial no País. Victoria Kwakwa, vice-presidente do Banco Mundial para a África Oriental e Austral, alertou que, embora as operações tenham sido mantidas até ao momento, a instituição poderá ajustar a sua actuação caso a instabilidade política e social se agrave, segundo informou a Lusa.
“O Banco Mundial é uma organização apolítica. Continuamos a trabalhar desde que seja possível operar de forma segura, reduzindo riscos e garantindo transparência e inclusão. Contudo, a situação actual é preocupante, e esperamos uma resolução pacífica”, afirmou Kwakwa em entrevista à Lusa.
Actualmente, o Banco Mundial desenvolve mais de 40 projectos em Moçambique, avaliados em cerca de 511,2 mil milhões de meticais (7 mil milhões de dólares). Estas iniciativas, focadas em áreas como saúde, educação, protecção social e crescimento sustentável, têm sido implementadas sem alterações significativas, mas a instituição reconhece a necessidade de monitorizar continuamente a situação.
“Temos flexibilidade para ajustar o nosso trabalho, mas até agora isso não foi necessário. No entanto, se as condições se deteriorarem, poderemos abrandar ou mesmo suspender algumas actividades”, explicou Kwakwa, sublinhando que a prioridade é sempre a segurança das operações e o impacto positivo nos beneficiários.
No contexto do Norte de Moçambique, onde ataques armados persistem desde 2017, Kwakwa reafirmou que o Banco Mundial não financia megaprojectos de petróleo e gás desde 2019, salvo em circunstâncias excepcionais. Segundo a responsável, Moçambique possui um enorme potencial em energias renováveis, como a eólica, que se tornaram prioridade no portefólio da instituição.
A crise pós-eleitoral, marcada por protestos e confrontos violentos, exacerbou o clima de instabilidade no País. As manifestações, lideradas pelo candidato da oposição, Venâncio Mondlane, contestam os resultados que atribuíram a vitória a Daniel Chapo, da Frelimo, com 70,67% dos votos. Dados recentes indicam que, entre 21 de Outubro e 21 de Novembro, os protestos resultaram em 67 mortos, 210 feridos e mais de 1300 detenções.
Apesar do cenário adverso, o Banco Mundial mantém o compromisso de apoiar Moçambique no fortalecimento do capital humano e na promoção de um crescimento inclusivo e sustentável. No entanto, a instituição sublinha que a continuidade dos projectos dependerá da estabilização do contexto político e social.



















































