Moçambique é um dos países onde a perseguição aos cristãos se intensificou desde Junho de 2022, registando-se um aumento dos relatos de ataques de jihadistas contra comunidades cristãs, aponta o relatório “Perseguidos e Esquecidos”, elaborado pela Fundação AIS (Ajuda à Igreja que Sofre).
O documento, citado pela Lusa, será lançado oficialmente nesta quarta-feira, 20 de Novembro, em Lisboa, no auditório do MUDE (Museu do Design), pelo jurista e docente universitário Jorge Bacelar Gouveia. O mesmo relata que o País assistiu a um recrudescimento dos ataques do autoproclamado Estado Islâmico, na província de Cabo Delgado, no Norte de Moçambique.
Informações avançam que o relatório analisa os desafios que os cristãos enfrentam em 18 países, onde sofrem problemas que vão desde o assédio à detenção, deslocação forçada ou assassinato, no período entre Agosto de 2022 e Junho deste ano.
No documento é apontado um aumento da violência e/ou opressão sobre os cristãos na maioria dos 18 países escrutinados, embora se reconheça que, em muitos casos, esses problemas abrangeram apenas regiões específicas e não o total do País.
Assim, registou-se um agravamento na perseguição aos cristãos na Nicarágua, Burquina Faso, Nigéria, Moçambique, Iraque, Irão, Paquistão, Índia, China, Sudão e Eritreia. Por outro lado, registou-se uma melhoria ligeira no Vietname e a manutenção da situação em Mianmar, Síria, Egipto, Turquia, Arábia Saudita e Coreia do Norte.

Como uma das principais conclusões, o relatório da Fundação AIS reconhece que “o epicentro da violência militante islamista deslocou-se do Médio Oriente para África”, onde se registou uma “intensificação da perseguição dos cristãos como inimigos do Estado e/ou da comunidade local”.
A Fundação AIS recorda ainda que, em 2024, quase 50% do mundo terá participado em eleições, sublinhando que “durante anos, os governos têm sido criticados por, na melhor das hipóteses, se limitarem a falar da necessidade de tomar medidas contra a perseguição dos cristãos e de outras minorias religiosas.”
Neste contexto, também antecipa que “é pouco provável que os governos recentemente (re)eleitos tomem medidas para pôr termo à perseguição, porque têm outras prioridades em termos de assuntos internacionais.”
No entanto, avisa que “ignorar a situação dos cristãos é ignorar os sinais de alarme, pois onde quer que aqueles sejam perseguidos, o direito à liberdade religiosa para todos é posto em causa”.
“Onde quer que os cristãos sejam assediados ou presos, detidos ou discriminados, torturados ou assassinados, os governos cometem ou toleram abusos também contra outros.”
A Fundação AIS depende dirctamente da Santa Sé e ajuda os cristãos onde quer que eles se encontrem perseguidos, refugiados ou ameaçados. Foi fundada em 1947, pelo Padre Werenfried van Straaten, inspirado na mensagem de Fátima, sendo em Portugal dirigida actualmente por Catarina Martins de Bettencourt.


























































