As manifestações pós-eleitorais em Moçambique continuam a ter impactos significativos no sector de importação de alimentos. O encerramento temporário da Fronteira de Ressano Garcia impediu a entrada de camiões com mercadorias para o mercado grossista do Zimpeto, resultando na deterioração de produtos perecíveis e em prejuízos que ultrapassam 1,4 milhões de meticais, segundo informou o jornal O País.
Entre os produtos afetados, a batata lidera as perdas, com cerca de 5 mil sacos que chegaram ao mercado já impróprios para venda. Alzira Chida, uma das importadoras lesadas, relata que a mercadoria ficou retida na fronteira durante vários dias devido aos protestos, o que a obrigou a buscar alternativas para o transporte, ainda que sem sucesso.
“Este camião tem mais de 3500 sacos, mas dificilmente conseguirei recuperar sequer mil. É um prejuízo acima de 500 mil rands”, explicou Chida, acrescentando que as dificuldades no transporte aumentaram significativamente o valor investido.
A situação é semelhante para Rebeca José, outra importadora que viu os seus carregamentos de batata apodrecerem, totalizando perdas de cerca de mais de um milhão de meticais. “Trabalhamos com dinheiro emprestado, e este prejuízo cria uma dívida que não poderemos recuperar facilmente”, lamentou a comerciante, explicando que, com as bancas vazias, a escassez de produtos como batata, cebola e cenoura pode impactar os preços nos próximos dias.
Flávio Naene, presidente do pelouro de transportes e logística da CTA, afirmou que o impacto económico é “devastador”. Segundo ele, mais de 100 camiões com mercadorias essenciais foram vandalizados ou bloqueados, o que poderá ter repercussões graves para as celebrações de fim de ano e para a economia nacional em geral. “O sector empresarial enfrenta um verdadeiro ‘tsunami’ de perdas”, destacou Naene.
O economista Elio Cossa alerta para as possíveis consequências inflacionárias desta crise. “A escassez de produtos pode levar a uma subida de preços e ao regresso da inflação, que já estava sob controlo. Este cenário agrava também o défice fiscal, comprometendo as receitas e o funcionamento do Estado”, avaliou o economista, referindo-se aos possíveis cortes nos investimentos e no pagamento de fornecedores.
Com a fronteira reaberta, a expectativa é de que a circulação retome gradualmente, mas as perdas já são irreversíveis. Para os importadores do Zimpeto, o impacto é sentido nas suas margens de lucro, na disponibilidade de produtos e, potencialmente, no custo para o consumidor final.

























































