Em 2023, o crédito à economia registou uma redução de 9,6%, passando de 16,6 milhões para cerca de 15 milhões de meticais por cada 1000 adultos, conforme aponta o Relatório de Inclusão Financeira de 2023 consultado esta terça-feira (29) pelo Diário Económico. A análise, realizada pelo Banco de Moçambique, atribui essa contracção às condições económicas do País e a políticas monetárias restritivas.
Segundo o relatório, o aumento das taxas de juro e uma menor procura de crédito influenciaram significativamente o volume de financiamento disponível, tanto para empresas como para famílias. “A procura de crédito foi impactada por uma conjuntura económica mais apertada e por políticas monetárias restritivas, resultando numa diminuição no crédito concedido,” refere o documento.
Além disso, a análise assinala uma redução no número de pontos de acesso aos serviços financeiros. O número de agências bancárias caiu para 9,1 por cada 10 000 km², comparado a 9,3 em 2022.
O número de agentes bancários também registou uma queda, passando de 28,0 para 12,5 por cada 10 000 km². De igual forma, os terminais de ATM e POS diminuíram, fixando-se em 18,5 e 377,9, respectivamente, face aos 19,6 e 488,6 registados no ano anterior.
Por outro lado, o Índice de Inclusão Financeira (IIF) registou um crescimento de 1,14 pontos, situando-se em 15,13 em 2023. Este aumento é atribuído ao crescimento dos agentes não bancários e à maior adopção de serviços de moeda electrónica e contas bancárias.

“O índice de inclusão financeira registou um avanço positivo, impulsionado sobretudo pelo aumento dos agentes não bancários e pela expansão dos serviços de moeda electrónica,” destaca o relatório.
O documento indica ainda um crescimento moderado no mercado segurador, com uma variação positiva de 0,2% em termos nominais, elevando a taxa de penetração dos seguros para 2,03%, em comparação com 1,85% em 2022.
No mercado de capitais, a capitalização bolsista registou um aumento expressivo, de 138,5 mil milhões de meticais em 2022 para 183,8 mil milhões em 2023, representando uma subida de 32,7%. Em termos proporcionais, a capitalização bolsista atingiu 25,8% do PIB, superando a meta de 9,2% estabelecida pela Estratégia Nacional de Inclusão Financeira 2016-22.
Para o próximo ano, o Banco de Moçambique antecipa novas medidas para facilitar o acesso ao crédito e ampliar a inclusão financeira, com a introdução de contas bancárias básicas e de um número único de identificação bancária, visando aumentar a acessibilidade ao sistema financeiro.
Texto: Felisberto Ruco

































































