Um empresário português do sector da construção civil foi sequestrado esta terça-feira (29) no centro de Maputo, em plena Avenida Armando Tivane, no bairro da Sommerschield, segundo confirmação da PRM e de uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal (MNE). O ministro do Interior, Pascoal Ronda, assegurou que “todos os esforços” estão a ser aplicados para esclarecer o caso e identificar os envolvidos.
O rapto ocorreu por volta das 13:00, numa zona central e movimentada da capital. De acordo com imagens de videovigilância, o empresário, ao sair da sua viatura, foi abordado por dois homens a pé, auxiliados por outros dois que se encontravam numa viatura parada no local.
O grupo, armado, forçou a vítima a entrar no veículo, tendo sido ouvido pelo menos um disparo. As autoridades moçambicanas, segundo a polícia, mantêm-se em silêncio sobre os detalhes adicionais até ao avanço das investigações.
Este caso eleva para 14 o número de raptos registados no País desde o início de 2024, maioritariamente na cidade de Maputo. Este é o segundo rapto ocorrido na capital em Outubro, após um incidente similar registado no dia 11, em que a vítima foi libertada horas depois na Matola após perseguição policial.
“Este caso eleva para 14 o número de raptos registados no País desde o início de 2024, maioritariamente na cidade de Maputo”
Impacto económico e inquietação no sector empresarial
A Confederação das Associações Económicas (CTA) divulgou que 150 empresários foram raptados no País nos últimos 12 anos, levando mais de uma centena de investidores a deixar Moçambique por motivos de segurança.
Pedro Baltazar, dirigente do pelouro de segurança e protecção privada da CTA, defende uma resposta mais assertiva das autoridades, alertando para os efeitos negativos deste fenómeno no investimento e na confiança empresarial. A CTA estima que as consequências económicas dos raptos se reflectem em “mil milhões de dólares” de perdas para a economia e afectam também a criação de empregos.
O Presidente da República, Filipe Nyusi em declarações passadas em Julho, reconheceu o desafio que o combate aos raptos representa e apelou a uma resposta mais eficaz das forças de segurança, de forma a desmantelar as redes criminosas.
Já o Gabinete de Informação Financeira de Moçambique (GIFiM) reportou que as práticas de branqueamento de capitais associadas aos raptos movimentaram mais de 2,1 mil milhões de meticais desde 2014.
Até Março deste ano, o Ministério do Interior contabilizou um total de 185 raptos desde 2011, com pelo menos 288 detenções relacionadas, revelando o esforço das autoridades para conter este fenómeno.
A manutenção de um clima de segurança é considerada vital para a atracção de investimentos estrangeiros, mas a escalada de raptos continua a gerar preocupações entre empresários e potenciais investidores.
























































