O Banco de Reserva da África do Sul (SARB, na sigla em inglês) defendeu uma revisão da meta de inflação entre 3% a 6%, em vigor há 24 anos, argumentando que uma redução desse intervalo poderá trazer benefícios económicos sustentáveis a longo prazo.
“Temos uma oportunidade de alcançar uma inflação permanentemente mais baixa e, consequentemente, taxas de juro mais reduzidas”, afirmou o governador do SARB, Lesetja Kganyago, durante uma palestra na Universidade de Stellenbosch, na última quinta-feira, 24 de Outubro. Kganyago sublinhou que, “executada de forma eficaz, uma meta mais baixa poderia ser atingida com pouco custo, tal como se conseguiu a mudança para 4,5% com impacto mínimo”.
Desde 2000, o SARB estabeleceu a meta de inflação no intervalo entre 3% a 6%, adoptando em 2017 o ponto médio de 4,5% como referência explícita para ancorar as expectativas de preços. Kganyago destacou o sucesso da medida, afirmando que o objectivo de manter a inflação em torno dos 4,5% foi alcançado, apesar de a África do Sul continuar a registar uma taxa de inflação relativamente elevada.
“Temos uma inflação relativamente alta, muitas vezes considerada estrutural e inevitável, como se não fosse uma opção de política”, comentou Kganyago. “Mas a realidade é que poderíamos ter uma meta de inflação mais baixa, como quase todos os nossos pares, o que reduziria a inflação”, reforçou.
“Não vamos fingir que devemos viver com uma meta de inflação relativamente alta apenas por causa do nosso problema com preços administrados”
Kganyago salientou que a meta actual não deve ser mantida unicamente devido a problemas internos, como a rigidez dos preços administrados, que incluem os custos de electricidade e tarifas municipais. Segundo o Governador, ainda é possível alcançar uma inflação mais baixa globalmente, mesmo com custos de serviços públicos elevados. “Isso não nos impediu de reduzir a inflação de 6% para 4,5%”, recordou.
Em Fevereiro deste ano, o Tesouro Nacional da África do Sul anunciou a revisão da meta de inflação, sugerindo que o novo intervalo poderá situar-se num patamar mais baixo. Kganyago enfatizou que, embora o processo seja complexo, exigindo não apenas cálculos económicos mas também considerações políticas, a revisão é necessária para alinhar a África do Sul com as práticas dos seus principais parceiros económicos.
Recentemente, o Banco de Reserva reduziu as taxas de juro em 25 pontos base, fixando-as em 8%, após uma desaceleração da inflação e uma revisão das previsões dos responsáveis pela política monetária, que estimam que a inflação poderá manter-se em ou abaixo dos 4,5% até 2026. A próxima decisão sobre as taxas de juro está agendada para 21 de Novembro.
Na sua revisão semestral de política monetária, publicada a 22 de Outubro, as previsões de preços nos mercados financeiros indicam um novo corte de um quarto de ponto nas taxas em Novembro, alinhado com as perspectivas macroeconómicas do país.
A queda da inflação tem sido sustentada pela redução dos preços do petróleo, pela melhoria das condições financeiras globais e pela valorização do rand, moeda sul-africana, impulsionada pela formação de uma coligação governativa pró-negócios na África do Sul após as eleições de 29 de Maio.
Fonte: Bloomberg

































































