O vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças de Cabo Verde foi designado presidente do conselho de governadores do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial para 2025, prometendo colocar na agenda “os temas que interessam” a África, informou este sábado, 26 de Outubro, a agência Lusa.
“Vamos colocar na agenda os temas que interessam a Cabo Verde e ao continente africano, dando prioridade à acção climática, aos empregos para os jovens e as mulheres, à transição digital, à diversificação da economia, ao acesso à energia para todos e ao financiamento concessional para desenvolver as nossas economias”, disse Olavo Correia.
Em entrevista à Lusa durante os Encontros Anuais do FMI e do Banco Mundial, que terminaram este sábado, 26 de Outubro, em Washington, Olavo Correia destacou a importância não só da sua nomeação para ser o presidente das reuniões de direcção destes grupos no próximo ano, mas também da escolha de Harold Tavares – até agora director executivo suplente para o grupo de África no Banco Mundial – para administrador executivo da instituição financeira.
“Isto acontece uma vez em cada 50 anos, para podermos ser referenciados temos de marcar pela presença, senão ninguém fala de Cabo Verde”, disse Olavo Correia, vincando que “estar presente nas direcções do FMI e do Banco Mundial aumenta a projecção, a notoriedade e a reputação de Cabo Verde, e isso depois vai ser canalizado para mais financiamentos, melhores abordagens nas relações com os parceiros institucionais, e melhorar a projecção do país a nível internacional, que é um activo intangível, mas de elevada importância para um pequeno estado insular”.
Na declaração de ‘passagem de testemunho’, no final da reunião dos governadores deste ano, o ainda presidente do conselho de governadores, Ahmed Munawar, congratulou Cabo Verde, lançando a dúvida sobre como pronunciar o nome do país: “Algumas pessoas dizem Cabo Verde, outras ‘Cabo Verdji’, mas saberemos a correcta pronunciação no futuro, certamente”.

Na entrevista à Lusa, Olavo Correia destacou também a necessidade de mudar o paradigma do crescimento económico africano, deixando de lado a preocupação sobre se os países crescem acima ou abaixo das previsões do FMI.
“Cabo Verde vai crescer 5,5%, mas o grande desafio do continente é como duplicar, durante quatro décadas, o crescimento, para transformar África, se não conseguirmos isso, os problemas serão sempre os mesmos”, afirmou.
Para o ministro das Finanças de Cabo Verde, entre as áreas prioritárias estão a acção climática, o aumento da participação do sector privado e a formação do capital humano, para garantir uma transformação estrutural do continente.
“Se não fizermos isto, atiramos 20 milhões de pessoas para o desemprego todos os anos, perpectuando e amplificando a pobreza extrema”, afirmou, alertando que um continente que albergará um quarto da população mundial em 2050 é importante para todo o mundo.
“Se não criarmos oportunidades para os jovens em África, não teremos um continente de paz e estabilidade, teremos emigração forçada instável, insegurança e golpes de Estado, e isso não será apenas um problema africano, será um problema mundial”, avisou.



























































