A igreja de Nossa Senhora do Rosário, arredores de Maputo, foi pequena para receber na manhã desta quarta-feira, 23 de Outubro, milhares de pessoas, incluindo centenas de advogados, no funeral de Elvino Dias, assessor jurídico do candidato presidencial Venâncio Mondlane.
Segundo a Lusa, o cortejo fúnebre, que partiu do centro de Maputo às 9h20, levou uma hora a chegar àquela paróquia, escoltado pela polícia e ladeado por um grupo de motociclistas, percurso feito sem qualquer incidente.
À chegada, centenas de advogados nacionais receberam os restos mortais de Elvino Dias, incluindo o próprio bastonário da Ordem, Carlos Martins. Num ambiente de profunda consternação, o interior da igreja tornou-se pequeno, levando centenas a improvisarem cadeiras no exterior.
Ao intervir na homilia, o arcebispo da diocese de Maputo, João Carlos Nunes, reconheceu o sentimento geral no templo: “Sentimo-nos materialmente esmagados por este golpe”.
O responsável da Igreja classificou este crime como “cruel e inesperado”, acrescentando: “A violência e a barbaridade que levou a sua vida choca-nos profundamente. Apesar da sua partida precoce, Elvino Dias viveu uma vida cheia de significado”, dedicando a sua actividade à “defesa dos direitos dos mais vulneráveis”.
Num ambiente de profunda consternação, o interior da igreja tornou-se pequeno, levando centenas a improvisarem cadeiras no exterior
“Se calhar terá sido por isso que não foi bem entendido e acolhido”, criticou o arcebispo da diocese de Maputo. “A morte é um alerta. O mal continua a ameaçar a nossa sociedade, o nosso País e a nossa cidade”.
Para João Carlos Nunes, “não pode ser apenas lamentar a morte de Elvino Dias”, defendendo que é preciso “transformar a dor com um compromisso renovado com a justiça, com a verdade e, acima de tudo, com a paz”.
“A sua morte desafia-nos a dar continuidade a esta missão, da busca da verdade, da justiça e da paz. Não podemos ser indiferentes ao sofrimento que afecta tantas famílias nossas”, disse ainda.

O candidato Venâncio Mondlane, que apelou à participação em massa nas cerimónias fúnebres de hoje, não esteve presente, tendo anunciado nos últimos dias que se encontra “em parte incerta”.
Contudo, o candidato presidencial e líder do Movimento Democrático de Moçambique (MDM, terceira força parlamentar), Lutero Simango, assistiu, na igreja.
Ao mesmo tempo, decorria na morgue do Hospital Central de Maputo, centro da cidade, o velório de Paulo Guambe, mandatário eleitoral do partido Podemos – que apoia o candidato presidencial Venâncio Mondlane, de que foi membro fundador, além de docente, argumentista, produtor e realizador.
O seu funeral está agendado para o cemitério de Jangamo, província de Inhambane, sul de Moçambique, na quinta-feira (24).
A polícia confirmou no sábado (19), à Lusa, que a viatura em que seguiam as vítimas, mortas a tiro, foi “emboscada”.
O crime, bem como a contestação aos resultados provisórios das eleições gerais de 9 de Outubro, levaram Venâncio Mondlane a convocar marchas pacíficas em Moçambique, na segunda-feira (21), que foram dispersadas por uma forte actuação da polícia, com tiros para o ar e gás lacrimogéneo, e os confrontos provocaram, segundo fonte hospitalar, pelo menos 16 feridos em Maputo.
A resposta policial às manifestações foi condenada pela comunidade internacional e houve vários apelos à contenção de ambas as partes, nomeadamente de Portugal, da União Europeia e da União Africana.























































