Decorreu esta quarta-feira, 21 de Agosto, o lançamento da Associação Moçambicana de Agências de Emprego (AMAE), cujo objectivo é organizar o mercado de recrutamento e evitar burlas relacionadas com a oferta de vagas.
“Trata-se do lançamento de uma associação cujo objectivo é congregar todas as agências privadas de emprego nacionais e internacionais que operam em Moçambique, tendo como missão principal o ordenamento do recrutamento e colocação de mão-de-obra em trabalhos por conta de terceiros, dentro ou fora do País”, explicou Luísa Mboana, presidente da AMAE.
A responsável fez saber que o País tem acordos já assinados há mais de um ano com Portugal e Emirados Árabes Unidos para o envio de trabalhadores, pois são nações que carecem de mão-de-obra. “Estamos organizados para reduzir a pressão do desemprego em Moçambique e levar os nossos candidatos para estes países. Estamos aqui desempregados, mas lá estão sem mão-de-obra”, disse.
Luísa Mboana reiterou que as agências privadas desempenham um papel crucial na dinâmica do mercado de trabalho nacional, contribuindo significativamente para a transparência e eficiência na promoção do emprego e no desenvolvimento económico do País. “Os serviços especializados das agências privadas e a sua capacidade de adaptação a necessidades específicas do mercado laboral tornam-se aliadas estratégicas no combate ao desemprego e na construção de uma economia mais próspera”, apontou.

Depois, prossegue, explicando que “a Associação pretende ser a parceira mais dinâmica, inclusiva e participativa em processos e centros de decisão do agenciamento privado de emprego, e mais proactiva na resolução de desafios para lograr resultados positivos”.
E enunciou a protecção de agências privadas de emprego e a “necessidade” da sua filiação na AMAE para organizar, fiscalizar, defender e desenvolver a actividade económica das agências; assegurar o cumprimento da legislação laboral por parte das mesmas; na definição e implementação de um código de ética a ser observado e respeitado por todas as empresas que actuam neste sector; apoiar e desenvolver acções para a defesa e a consolidação de objectivos comuns dos associados e na colaboração com o Estado como órgão técnico e consultivo no estudo de problemas e na apresentação de soluções relacionadas com o emprego no País”.
“Também o combate ao recrutamento de mão-de-obra infantil e a colaboração com o Governo para a formação de competências necessárias para uma maior empregabilidade de jovens e adultos nos grandes e médios projectos de investimento e o mapeamento de competências existentes e necessárias para partilha com os empregadores e, em particular, com investidores que pretendam desenvolver projectos de grande dimensão no território nacional são pontos focais desta nova associação”, complementou.
CTA Pede celeridade de processos de contratação
Na mesma ocasião, o presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA), Agostinho Vuma, enalteceu a colaboração da AMAE em diversos fóruns de trabalho e consultas regulares em representação do sector privado. “Destaco a participação activa desta agremiação na Comissão Consultiva do Trabalho (CCT), bem como no diálogo com diversos parceiros, incluindo a Autoridade Nacional de Educação Profissional (ANEP), onde, de forma harmonizada, tem estado a influenciar a adopção de iniciativas que promovam a ligação entre o Sector Produtivo e o Sistema Nacional de Educação Profissional”, apontou.
O presidente da CTA relembrou que o País, através do Ministério do Trabalho e Segurança Social, assinou, em 2023, um acordo de cooperação com os Emirados Árabes Unidos e com Portugal, que consistirá no envio de mão-de-obra nacional para aqueles destinos. “Neste sentido, alertamos para que este processo seja conduzido na base de muito rigor, tendo em conta as garantias a serem dadas à empresa alocadora. Alertamos igualmente para que esta abertura seja vista como uma oportunidade de empregabilidade e transferência de conhecimento para os nossos irmãos e que constitua uma verdadeira oportunidade de negócios para as agências privadas de emprego”.
Agostinho Vuma apontou que, no capítulo da empregabilidade, “esta oportunidade ganha ainda maior relevo quando, do exercício de monitoria da actividade empresarial, notámos que o mercado de emprego, depois da covid-19, continua frágil, sendo que as empresas continuam mais dispostas a contratar trabalhadores temporários face aos permanentes”.
E sublinha que “entre o primeiro e segundo trimestres de 2024, o Índice de Tendências de Emprego (ITE) no País registou uma expansão de 104,03% para 116,25%, o correspondente a um aumento de 12,22 pontos percentuais. Esta tendência do ITE sinaliza que houve um aumento das possibilidades de obtenção de emprego em Moçambique no segundo trimestre de 2024 em relação ao trimestre anterior, principalmente sustentado pelo dinamismo observado no sector da hotelaria e turismo, bem como pelo início da época de comercialização agrícola”.
Texto: Nário Samussone Sixpene





















































